A Meso Região do Agreste de Pernambuco desponta hoje como uma das regiões que vem apresentando um dos maiores índices de crescimento econômico e populacional do estado de Pernambuco além de receber o maior contingente de migração de retorno do estado. A pesquisa que originou a presente dissertação teve como objetivo compreender e analisar a configuração socioeconômica do que hoje é chamado de “Polo de Confecções do Agreste Pernambucano”, considerado o segundo maior produtor de confecções do Brasil, só perdendo para São Paulo. Nosso estudo de caso foi realizado em Santa Cruz do Capibaribe, cidade pioneira na produção e comercialização de roupas e artigos de vestuário na região conhecida popularmente como sulanca. A dissertação procurou investigar a configuração sócio-produtiva a partir das estratégias econômicas, valores e expectativas de dois grupos distintos que se encontram imersos no arranjo produtivo do semiárido pernambucano: os pequenos produtores familiares das confecções oriundos do mundo rural de um lado e, do outro, aqueles que constituem a elite econômica das confecções, “filhos da terra”, cuja identidade é com a própria cidade de Santa Cruz e com a prática comercial. Pretendemos com isso entender a constituição do que é hoje uma das regiões do Nordeste com economia mais dinâmicas, resgatando aspectos fundamentais ligados à história econômica da região: a tradição das feiras, o intenso intercurso comercial somados à produção familiar e à valorização do “trabalho independente” assim como compreender como estes dois grupos vêm se relacionando com as recentes transformações da economia local a partir de suas redes de parentesco, vizinhança e “conhecimento”.

 

Banca examinadora:
Profa. Beatriz Heredia, Presidente;
Prof. Marco Aurélio Santana;
Prof. Fermando Rabossi.