Alberto Goyena da Silveira Soares

Resumo:

O propósito desta tese é o de refletir sobre a arquitetura, entendida como um processo social de habitação. Essa atividade humana, amplamente associada à ideia do construir, é aqui abordada pelo viés das práticas de demolição e implosão de estruturas arquitetônicas. Nesse sentido, as discussões que apresento estão inseridas em dois marcos: por um lado, o das práticas, escolas e técnicas de demolição, resultado de uma pesquisa etnográfica conduzida entre demolidores (garimpeiros, marteleteiros, engenheiros e encarregados de obra), e, por outro, o dos recentes debates antropológicos voltados para as categorias arquitetura e patrimônio. O esforço não se pretende uma análise minuciosa das ideias, ferramentas ou normas de demolição, nem busca fazer uma história cultural dessa indústria. Trata-se de compartilhar o ponto de vista e os modos de atuação de redes de demolidores sobre a cidade, sublinhando-os como lugar singular de onde pensar tanto a arquitetura, em suas dimensões práticas e conceituais, quanto a preservação, noção fundamental dos estudos sobre patrimônio histórico e cultural. Na contramão das abordagens que percebem a demolição como um fim, no sentido de cessação, ou esquecimento, a proposta aqui também é explorar a demolição como meta. Para o demolidor, de fato, sua atividade não é algo alheio que atinge de fora a construção, mas é parte integrante das práticas e disciplinas arquitetônicas. Sob esse enfoque particular, antes do que em uma relação de oposição, demolir estaria para construir, como colher está para plantar.

Palavras-chave:

Demolição, Memória, Patrimônio, Arquitetura, Esquecimento

Abstract:

The present thesis is an ethnographic journey into the universe of techniques and rituals undertaken by professionals geared to the demolition of architectural constructions. Viewed by many, more often than not, as merely brutal and even outrageous, the task of destroying is herein discussed in its material and symbolic complexity, considering a long process that embraces scrap-dealers, collectors and demolition contractors. Just as the act of building assumes a way of understanding and qualifying space in accordance with a set of social norms, the act of demolishing is, in and of itself, ruled by beliefs and cosmologies that vary a great deal from one context to the other. It will be suggested here, in many ways and forms, that a destroyer’s sledgehammer may just as well unveil “history” and “heritage”, hidden in the midst of bricks, that even the most seasoned preservationist would not have even dreamt possible.

Keywords:

Demolition, Memory, Heritage, Architecture, Oblivion

Orientador:

JOSE REGINALDO SANTOS GONCALVES