Maria de Lourdes Sá Earp de Mello e Silva

Banca examinadora

Profa. Maria Ligia Barbosa, IFCS/UFRJ;
Prof. Marcio Costa, FE/UFRJ;
Prof. Ruben Klein, LNCC;
Profa. Tania Dauster, PUC/RJ.

Resumo

Esta tese tem o objetivo de estudar a repetência, principal impedimento para a universalização da conclusão do ensino fundamental no Brasil, através de um estudo de caso em duas escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro, uma municipal e outra estadual. Na escola brasileira, o aluno que não aprendeu deve ser punido com a reprovação, que se naturalizou como o principal recurso para ensinar. Segundo essa cultura o professor não se vê responsável pelo aprendizado e promoção dos alunos bem como não concebe sua prática sem a reprovação. A pesquisa em salas de aula revelou como a cultura da repetência se reproduz na própria estrutura de aula, na medida em que o professor não ensina a todos os alunos. A sala de aula pode ser descrita pela metáfora “centro e periferia”, que define onde ficam os alunos que são ensinados e os outros. As representações docentes justificam a estrutura “centro-periferia”. Para além da reprodução, descrita por Bourdieu, a sala de aula tem uma estrutura própria. As histórias dos alunos os definem socialmente, demonstrando que existem dois tipos de alunos no “centro”. Os primeiros, conforme a teoria da reprodução, são alunos cujas condições extras escolares contribuíram para seu lugar privilegiado na sala de aula. Os segundos, conforme este estudo demonstrou, são alunos com condições sociais menos privilegiadas. De acordo com o “efeito Pigmalião”, tais alunos foram escolhidos para serem ensinados pelo professor. O ritual da sala de aula é legitimado pelo julgamento feito nos conselhos de classe, onde os professores atribuem valores morais ao juízo escolar.