Pérola Virgínia de Clemente Mathias

Este trabalho busca analisar e compreender o movimento tropicalista considerando-o a partir de dois argumentos que envolvem uma relação espaço-temporal. O primeiro é resultado da busca por saber porque o tropicalismo é tão representado e invocado como referência em para as representações artísticas e culturais atualmente. O segundo, fruto de um mal estar de ver uma história cristalizada sendo constantemente repetida, sempre com as mesmas datas e episódios, é a busca por saber o que quem se perde nestes intervalos. Daí resulta que a maior perda dos estudos sobre a Tropicália é deixar desaparecer as conexões entre o como pesquisas e produções artísticas e culturais foram se desenrolando desde um primeiro momento no cenário cultural de Salvador, tendo os seus primeiros passos quando de uma mudança de alguns artistas para Rio de Janeiro e São Paulo, e, por fim, a eclosão do Tropicalismo, marcante nesta última cidade. Os dois argumentos se conectam no estudo, num primeiro momento, através da análise do filme “Tropicália”, de Marcelo Machado, por ele ser representativo dessa nova leva de trabalhos sobre o movimento tropicalista e por discutir a formação da Tropicália historicamente. Num segundo momento, busca-se desvendar a tessitura do contexto histórico pelo qual passa o que envolve o tropicalismo, retraçando as teias de interação desenvolvidas que o possibilitaram. Tendo o tropicalismo como uma concepção plurisemântica de um momento/movimento da cultura e da arte brasileira, este trabalho apresenta a Tropicália destacando a relação que existe entre o movimento e a Bahia, fazendo a conexão com o que hoje extrapola estas barreiras territoriais.

 

Banca examinadora:
Profa. Glaucia Villas Bôas, Presidente
Prof. Marco Antonio Gonçalves
Prof. Frederico Oliveira Coelho