Banca examinadora

Prof. Michel Misse, IFCS/UFRJ;
Prof. Emerson Giumbelli, IFCS/UFRJ;
Profa. Yvonne Maggie, IFCS;UFRJ;
Profa. Clara Mafra, UERJ;
Prof. Luiz Fernando Dias Duarte, MN/UFRJ.

Resumo

O objetivo principal deste trabalho é compreender, de uma perspectiva sociológica e antropológica, a conversão de “bandidos” a igrejas evangélicas pentecostais. O material empírico consiste basicamente em entrevistas em profundidade com pessoas “que passaram pela vida do crime” – a maior parte envolvida no tráfico de drogas – e que se converteram a alguma denominação pentecostal. A análise está baseada, sobretudo, na idéia de sujeição criminal – que em termos gerais, diz respeito à construção social do “bandido” como sujeito: indivíduo reconhecido socialmente como portador de uma “natureza criminosa”. Na conversão ao pentecostalismo, observamos que o “bandido” precisa transformar sua “natureza”, sua “personalidade”, sua “individualidade”. Não são apenas o abandono de práticas criminosas e a adoção de um “trabalho honesto” que estão em jogo, mas a “transformação do sujeito”. Dessa forma, na conversão do “bandido” ao pentecostalismo, a sujeição criminal é posta em evidência. Procurei descrever e analisar não apenas o modo como o indivíduo interpreta sua condição de “ex-bandido”. Fornecemos, assim, alguns elementos para compreendermos o processo de construção de duas identidades que são fortemente presentes nas periferias das cidades brasileiras e que constituem parte importante de seu cotidiano: a de “bandido” e a de “crente”.

Palavras-chave: sujeição criminal, violência, pentecostalismo; conversão.