Mani Tebet de Azevedo Marins

O objeto central desta Tese é examinar se, como e por que uma política de transferência de renda produz, de modo não intencional, efeitos distintivos entre “pobres”. Para tanto, tomamos como exemplo o Programa Bolsa Família implementado de forma descentralizada no Município de Itaboraí – periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Especificamente, nosso trabalho de campo teve como locus o bairro de Nova Cidade, onde realizamos observação participante e entrevistas com diversos atores: famílias beneficiárias, famílias não beneficiárias, agentes de saúde, assistentes sociais, professores, comerciantes e responsáveis pelo Programa Bolsa Família do Município. Como resultado, vimos a construção de uma fronteira entre os “pobres”: beneficiários e não beneficiários. Divergindo da definição estritamente econômica de pobreza instituída pelo Programa, os entrevistados elaboram classificações, sobretudo de cunho moral. Em particular, eles estabelecem critérios de julgamento a partir de suas posições frente ao Programa, o que acaba por derivar em distinções simbólicas acerca das noções de merecimento, necessidade, sofrimento, honra e padrões de conduta generificados.

 

Banca examinadora:
Profa. Bila Sorj, Presidente
Profa. Maria Ligia Barbosa
Profa. Graziella Moraes Silva
Profa. Adriana Resende Barreto Vianna
Profa. Walquíria Leão Rego