Carlos Subuhana


Banca examinadora

Marco Antonio Gonçalves
Peter Henry Fry
Marco Antonio da Silva Mello

Resumo

Partindo da análise de duas etnografias sobre ritos de passagem (os rituais de circuncisão), realizadas na província o Niassa, procuramos sustentar que não seria abandonando ou mesmo negligenciando as práticas e conseqüentemente os valores das tradições culturais locais, que Moçambique, como Estado-Nação, conseguiria alcançar o tão almejado progresso.
Os resultados da análise dos dados nos revelam que o encontro das tradições culturais moçambicanas com as tradições culturais ocidentais (européias) é benéfico, contrariando assim certas teses. Entre os Yao por exemplo percebemos que nos rituais de circuncisão, elementos da cultura ocidental forma incorporados, não significando por isso a deslegitimação da cultura local.

Ao incluir em nossa análise a iniciação tradicional evangelizada (inculturação), nosso desejo foi mostrar que a cultura ocidental, também pode conviver em harmonia com as culturas moçambicanas, discordando dos que defendiam que o culto aos antepassados não levava o país ao desenvolvimento ou ao progresso, mas sim ao obscurantismo.

ABSTRACT

From the analysis of two ethnographies regarding the passage rites (the circumcision rites) as they are performed in the Niassa province, we have endeavored to maintain that it would not be by neglecting or even relinquishing the practice and consequently the values of local tradition that Mozambique as a nation would attain the so much covered progress. The data analysis results unveil the benefits of the merging between the Mozambican tradition and the Western (European) one, thus contradicting certain theses. Among the Wayao, for example, it can be perceived how the incorporation of Western culture elements in the rites of circumcision does not imply the legitimatising the local culture.

By including in our analysis the evangelized traditional initiation (enculturation), we have aimed at point out how the Western culture may also co-exist harmoniously with the Mozambican culture, contending with those who sustained that ancestral cult would lead to obscurantism rather than to development and progress.

At last, we attempt to contrapose the official tuition provided by schools to the teaching conveyed by the ndagala, arguing that as a matter of fact there might be points of similarities between them concerning the way of transmitting knowledge. Not only at school (students) but also in the nadagala (wadi) we are confronted with the prevalence of the “culture of the silence” and “authoritarian discipline” in the formation of the new man.