Rodrigo Nuñez Viégas

Resumo

A presente pesquisa propõe uma reflexão sobre uma das questões principais muitas vezes envolvidas na implantação de grandes empreendimentos industriais: a relação de conflito e tensão estabelecida entre empresas que tentam se instalar em uma determinada localidade e as comunidades residentes nesta mesma localidade, tendo como campo de disputa, discursos sobre o meio ambiente, sobre as formas de utilização dos recursos materiais e humanos e suas conseqüências. Para tanto, um conjunto de lutas sociais envolvendo dois casos de conflito ambientais relativos a projetos de implementação de atividade industrial – o “Projeto da Usina Termelétrica (UTE) de Sepetiba” , no município de Itaguaí /RJ, e o “Projeto da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA)”, no bairro de Santa Cruz, município do Rio de Janeiro /RJ – é aqui analisado como um momento de constituição de um “campo ambiental” onde se encontram em jogo as condições de apropriação material e simbólica de determinadas bases de recursos naturais. Pesquisou-se o processo de construção e execução das diferentes estratégias dos atores em meio aos conflitos, cada qual com seus diferentes volumes de capitais materiais e simbólicos e, por conseguinte, com possibilidades diferenciadas sobre o mundo material e simbólico (acesso, uso, apropriação, distribuição e controle sobre os territórios e sobre o conjunto de recursos materiais e simbólicos).

Palavras chaves: conflitos ambientais; “campo ambiental”; luta material e simbólica; projetos de instalação de atividades industriais; estratégias de atores em conflitos ambientais, Rio de Janeiro.