Esta pesquisa analisa a adoção do Acordo Marco Global na Volkswagen, denominado Carta de Relações Laborais, com foco em quatro sindicatos do setor automotivo brasileiro. No plano teórico, adota-se a perspectiva do institucionalismo histórico, com ênfase em como as relações industriais conformam a ação dos atores. Do ponto de vista metodológico, o estudo baseia-se em entrevistas semiestruturadas e na análise de documentos sindicais e empresariais. Os resultados mostram que os sindicatos adaptaram o documento ao contexto local, neutralizando elementos distintos das relações entre capital e trabalho, em especial o modelo de cogestão. As conclusões apontam que as relações industriais nacionais, marcadas pela hierarquia, moldaram a percepção dos sindicatos e orientaram a adaptação da Carta ao cenário brasileiro.