Este artigo examina os modos de engajamento no mundo digital, tomando como ponto central como os usuários qualificam informações, se engajam e se constituem coletivamente. A partir da sociologia do engajamento, argumenta-se que a esfera pública digital resulta de processos situados de qualificação, nos quais diferentes regimes de engajamento orientam a definição do que é considerado relevante ou problemático. Destaca-se a proeminência do regime da familiaridade na busca por informações e na avaliação de fontes, bem como as tensões que ele produz em relação a modos convencionais de engajamento com o bem público. A informação digital é tratada como um bem disputado, cuja valoração depende de convenções locais, a partir das quais usuários são qualificados como bem-informados ou, quando destituídos dele, desinformados. O artigo demonstra como a sociologia do engajamento contribui para o estudo do digital ao preencher lacunas deixadas por abordagens macroestruturais.