Passadas as celebrações do centenário da Semana de Arte Moderna de São Paulo, o modernismo segue suscitando indagações e explorações acadêmicas em diferentes áreas do conhecimento, letras, artes e ciências sociais especialmente. É próprio das efemérides produzirem balanços, e em 1972, quando do cinquentenário do movimento modernista, foi assim. A crítica pioneira, como a de Alceu Amoroso Lima, e os então jovens críticos, como Silviano Santiago, por exemplo, se ocuparam bastante da tarefa. No caso do centenário, a crítica especializada acabou não aparecendo tanto, em meio à máquina midiática, especialmente, no mercado editorial, senão numa espécie de julgamento dos chamados semanistas, pela sua cor branca, origem social aristocrática e concepções consideradas misóginas. O passado, como todos já estamos sabendo após duas décadas de guerras culturais abertas, é mesmo um território em disputa.