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Não é comum ter à mão um livro com tantas vozes para falar da história da arte no Brasil. A produção de pesquisa nessa área cresceu muito nas duas últimas décadas, mas é raro ter um quadro do pensamento, das iniciativas e das ações de um grupo de artistas, críticos, galeristas e historiadores da arte, como nos apresenta O papel da crítica na formação de um pensamento contemporâneo de arte no Brasil na década de 1970. Fernanda Lopes Torres e Martha Telles não pouparam esforços para fugir das abordagens corriqueiras dos processos de criação, dos meandros da consagração de artistas ou da fundação de instituições, que deixam de lado a orquestração sociológica indispensável às mudanças. A contrário, o conjunto das 30 entrevistas, publicadas no livro, evidencia ter havido um verdadeiro movimento para inverter o peso negativo dos condicionamentos e das determinações dos anos de 1970. Na Apresentação, as historiadoras esclarecem que o entendimento da precariedade do campo artístico brasileiro funcionou como um motivo em favor da produção renovada da arte (Torres & Telles, 2023: 20; 29), subvertendo as saídas convencionais encontradas por intelectuais e artistas em tempos sombrios.

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