Ementa

O conhecimento antropológico esteve, e em certa medida ainda está, balizado por oposições chave que se estruturaram ao longo da história da disciplina. Entre as mais conhecidas, e de maior alcance teórico, podemos mencionar natureza e cultura, cultura e sociedade, individuo e sociedade entre outras. Essas oposições organizaram tanto a produção do conhecimento quanto a estruturação profissional da disciplina separando a dimensão biológica da dimensão cultural, ou entre uma antropologia inglesa interessada no conceito de sociedade por oposição a uma antropologia americana interessada na cultura.

Em maior ou menor grau é possível dizer que todos os antropólogos questionaram esses limites. Houve, entretanto, ao longo da história da antropologia, autores que buscaram enfatizar linhas de conexão entre os diferentes campos e entre os diferentes conceitos, diluindo os limites entre os pólos das oposições balizadoras do conhecimento.

Nas últimas décadas, e como um modo de estruturar os debates acadêmicos, fala-se em “viradas”, ou pontos de inflexão, para pensar esses questionamentos às idéias centrais da disciplina.

O objetivo do curso é apresentar alguns desses autores que inicialmente propuseram perspectivas de síntese a partir do questionamento das oposições entre conceitos e campos específicos da antropologia e que possibilitaram, de algum modo, os atuais debates conhecidos como “virada pragmática”, virada afetiva” e virada ontológica. Que problematizaremos na metade do curso.

Parte I: Para além das oposições

1° Sessão:

Apresentação do curso

2° Sessão:

BATESON, Gregory. 1976. “Forma, substancia e diferencia”. In; Gregory BATESON. Pasos hacia uma ecologia da mente. Buenos Aires: Ed. Carlos Lohlé.

BATESON, Gregory e BATESON, Mary Catherine 1989. “El mundo del proceso mental”. IN: Gregory BATESON e Mary Catherine BATESON. El temor de los ángeles. Barcelona: Gedisa.

BATESON, Mary Catherine. 1989. “Qué es pues una metáfora?”: Gregory BATESON e Mary Catherine BATESON. El temor de los ángeles. Barcelona: Gedisa.

3° Sessão:

BATESON, Gregory. 1982. “De la clasificación al proceso”. IN: Gregory BATESON. Espíritu y Naturaleza. Buenos Aires: Amorrortu.

BATESON, Gregory. 1990. Naven. Estudio de los problemas sugeridos por uma visión compuesta de la cultura de una tribu de Nueva Guinea obtenida desde tres puntos de vista. Madrid: Jucar Universidad. (Epílogo de 1936 e Epílogo de 1958)

4° Sessão:

INGOLD, Tim. 2001. “From Complementarity to Obviation: On Dissolving the Boundaries between Social and Biological Anthropology, Archaeology, and Psychology”. IN: Susan OYAMA, Paul E. GRIFFITHS, and Russell D. GRAY (Eds).  CYCLES OF CONTINGENCY. Developmental Systems and Evolution. Massachusetts: The MIT Press.

INGOLD, Tim. 2012. “Contra la Cultura, abrazando la vida: antropología más allá de la humanidad”.  IN: Tim INGOLD. Ambientes para la vida. Coversaciones sobre humanidad, conocimiento e antropología. Montevideo: Trilce.

INGOLD, Tim. 2012. “Trazendo as coisas de volta à vida: Emaranhados criativos num mundo de materiais”. Horizontes Antropológicos, n. 37

5º Sessão:

INGOLD, Tim. 2011. “Repensando o inanimado, reanimando o pensamento”. In: Tim INGOLD. Estar vivo. Ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petropolis: Ed. Vozes.

INGOLD, Tim. 2011. “Ponto, linha, contraponto: do meio ambiente ao espaço fluido. In: Tim INGOLD. Estar vivo. Ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis: Ed. Vozes.

6° Sessão:

WAGNER, Roy. 1981. The Invention of Culture. Revised and expanded Edition. Chicago: The University of Chicago Press. (Introdução, Capítulos 1, 2, 3)

WAGNER, Roy. 1986. Symbols that Stand for Themselves. The University of Chicago Press. (Introduçãon e capítulos 1 e 2)

Parte II: Viradas

7° Sessão: A virada pragmática I

BRYANT, Levi; SRNICEK, Nick and HARMAN, Graham. 2011. “Introduction”. In: Levi BRYANT, Nick SRNICEK and Graham HARMAN, editors. The Speculative Turn: Continental Materialism and Realism. Re.press Melbourne 2011

BRYANT Levi R. 2011. The Ontic Principle: Outline of an Object-Oriented Ontology. In: Levi BRYANT, Nick SRNICEK and Graham HARMAN, editors. The Speculative Turn: Continental Materialism and Realism. Re.press: Melbourne 2011

8° Sessão: A virada pragmática II

LATOUR, Burno. 2013. Investigación sobre los modos de existencia. Buenos Aires: Paidós. (capítulos a escolher).

9° Sessão: A virada afetiva I

CLOUGH, Patricia T. 2007. In: Patricia T. CLOUGH. Introduction. The Affective Turn: Theorizing the Social. Duke University Press.

CLOUGH, Patricia T. 2010. Afterword: The Future of Affect Studies. Body & Society, 16: 222

10° Sessão: A virada afetiva II

HEMMINGS, Clare. 2005. Invoking affect. Cultural theory and the ontological turn. Cultural Studies Vol. 19, No. 5 (September 2005), pp. 548 -/567

LEYS, Ruth. 2011. The Turn to Affect: A Critique. Critical Inquiry, Vol. 37, No. 3 (Spring 2011), pp. 434-472

PAPOULIAS, Constantina and CALLARD, Felicity.  2010. Biology’s Gift: Interrogating the Turn to Affect. Body & Society  16: 29

11° Sessão: A virada afetiva III

BUTLER, Judith. 2004. Precarious life. The powers of mourning and violence. London: Verso. Capítulo 2: Violence, mourning, politics.

BUTLER, Judith. 2015. Quadros de Guerra. Quando a vida é passível de luto? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Introdução: Vida Precária, vida passível de luto e capítulo 4: O Não pensamento em nome da normatividade.

 12° Sessão: A virada Ontológica I

HOLBRAAD, Martin, PEDERSEN, Morten Axel and VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. “The Politics of Ontology: Anthropological Positions.” Theorizing the Contemporary, Cultural Anthropology website, January 13, 2014. https://culanth.org/fieldsights/462-the-politics-of-ontology-anthropological-positions.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. 2010. O Anti-Narciso: lugar e função da Antropologia no mundo contemporâneo. Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4, 15-26 · 2010

MOL, Annemarie. 2007. “Política ontológica. Algumas ideias e várias perguntas.  IN: João Arriscado NUNES e Ricardo ROQUE (org.) Objectos impuros. Experiências em estudos sociais da ciência. Porto: Edições Afrontamento

13° Sessão: A virada Ontológica II

VENKATESAN, Soumhya et al. 2010. Ontology Is Just Another Word for Culture: Motion Tabled at the 2008 Meeting of the Group for Debates in Anthropological Theory, University of Manchester. Critique of Anthropology 30 (2) pp 152-200

BESSIRE, Lucas e BOND, David.  2014. Ontological anthropology and the deferral of critique.  American Ethnologist, Vol. 41, No. 3, pp. 440–456

PALEČEK, Martin and RISJORD, Mark. 2012. Relativism and the ontological turn within Anthropology. Philosophy of the Social Sciences 43, Nº 1, pp. 3-23.

14° Sessão: A virada Ontológica III

VON DER WEID Olivia e VANDENBERGHE Frédéric. 2016.  “Introdução: A natureza da Antropologia”. In: Frédéric Vandenberghe, Olivia von der Weid (orgs.). Novas antropologias. Rio de Janeiro: Terceiro ponto, 2016.

VON DER WEID Olivia e VANDENBERGHE Frédéric. 2016.  “Entre as linhas da cegueira”. In: Frédéric Vandenberghe, Olivia von der Weid (orgs.). Novas antropologias. Rio de Janeiro: Terceiro ponto, 2016.

15° Sessão:

Discussão dos trabalhos finais