Universidade Federal do Rio de Janeiro

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais

Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia

  

Disciplina: Teoria Antropológica II/Teoria Sociológica IV

 Docente: Leticia Ferreira

Semestre: 2019.2

Horário: Quintas-feiras, de 14 às 17h

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Ementa:

O curso dá continuidade à formação iniciada na disciplina de Teoria Antropológica I e tem como objetivo examinar as principais questões do pensamento antropológico a partir de seu investimento conceitual, teórico e metodológico acerca do conceito chave e fundante de “etnografia”. A estreita associação entre prática etnográfica e produção teórica caracteriza a Antropologia no contexto das ciências humanas e sociais. A etnografia, mais do que um procedimento descritivo, é uma sofisticada reflexão e elaboração teórica. Nesse sentido, o curso aborda a produção teórica no campo da Antropologia a partir da leitura, análise e discussão de trabalhos etnográficos marcantes e que constituem o ‘corpus’ da disciplina. Enfatiza-se, assim, a relevância da escrita etnográfica que, resultante de experiências concretas, se desdobra na discussão de pesquisas de campo, diários de campo, formulações conceituais, contextos de época e estilos autorais em diferentes momentos da história da disciplina. O foco recai especialmente sobre o potencial cognitivo e epistemológico da escrita e da prática etnográfica desde o seu surgimento, no início do século XX, até as produções etnográficas contemporâneas.

Conceitos-chave a serem trabalhados: Etnografia; Teoria; Trabalho de campo; Tradução; Observação; Participação; Narração; Descrição; Autoria; Nativo; Informantes; Interlocutores; Subjetividade; Conhecimento; Reflexividade; Ética; Poder; Representação.

 

Conteúdo programático:

 

Aula 1. (08/08)

Apresentação do programa

 

Aula 2. Antropologia, poder e o tempo (15/08)

ASAD, Talal. [1973] Introdução à Anthropology and the Colonial Encounter. Tradução de Bruno Reinhardt. ILHA v. 19, n. 2, p. 313-327, dezembro de 2017.

Fabian, Johannes. O tempo e o outro: como a antropologia estabelece seu objeto. Petrópolis: Vozes, 2013. [Trechos a selecionar]

 

Aula 3. Autoria, representação e o texto (22/08)

Clifford, James. On ethnographic allegory. In: J. Clifford & G. E. Marcus (orgs.) Writing Culture: The Poetics and Politics of Ethnography. Berkeley: University of California Press, 1986. pp. 98-121.

Marcus, George. Contemporary problems of ethnography in the modern world system. Em: J. Clifford & G. E. Marcus (orgs.) Writing Culture: The Poetics and Politics of Ethnography. Berkeley: University of California Press, 1986. pp. 165-193.

GEERTZ, Clifford. [1988] Obras e vidas: o antropólogo como autor. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009. pp.11-40; 169-193.

ABU-Lughod, Lila. Writing against culture. In: FOX, Richard. Recapturing anthropology: working in the present. Santa Fe: School of American Research Press, 1991. pp.137-162.

Leitura complementar: MARCUS, George e CUSHMAN, Dick. Ethnographies as texts. Annual Review of Anthropology, Vol. 11 (1982), pp. 25-69.

 

Aula 4. Etnografia sob ataque (e defesa)  (29/08)

THOMAS, Nicholas. Against ethnography. Cultural Anthropology 6(3), 306–322, 1991.

PEIRANO, Mariza. A favor da etnografia. In: ____ A favor da etnografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995. pp.31-58. (disponível em www.marizapeirano.com.br)

MALINOWSKI, Bronislaw. Crime e costume na sociedade selvagem. Brasília: Editora UnB, 2003.

 

Aula 5. Nichos, ausências e experiências (05/09)

NADER, Laura. Up the anthropologist: perspectives gained from studying up. In: HYMES, Dell. Reinventing Anthropology. New York: Pantheon Books, 1972.

TROUILLOT, Michel-Rolph. Anthropology and the savage slot: the poetics and politics of Otherness. Em: Richard Fox (org.) Recapturing Anthropology: Working in the Present. Santa Fe: School of American Research Press, 1991. Pp. 17-44.

ROBBINS, Joel. Beyond the suffering subject: towards an anthropology of the good. In: The Journal of the Royal Anthropological Institute 19: 447-462, 2013.

BIEHL, João. Antropologia do devir: psicofármacos – abandono social – desejo.   In: REVISTA DE ANTROPOLOGIA, 2008, V. 51 Nº 2

 

Aula 6. Antropologia (não) é etnografia (12/09)

INGOLD, Tim. That’s enough about ethnography! Hau: Journal of Ethnographic Theory 4 (1): 383–395, 2014.

Debate collection: two or three things I love or hate about ethnography, edited by Giovanni da Col. In: Hau: journal of ethnographic theory 7(1), 2017. [8 textos]

Leitura complementar: INGOLD, Tim. Anthropology and/as education. Oxon: Routledge, 2018.

 

Aula 7 e 8. Etnografia completa 1/3 (19/09 e 26/09)

AYUERO, Javier. Patients of the state: the politics of waiting in Argentina. Durham: Duke University Press, 2012. pp.1-168.

FONSECA, Claudia. Classe e a recusa etnográfica. In: Claudia Fonseca, Jurema Brites (orgs.) Etnografias da participação. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2006.

 

Aula 9. Imperativos e prescrições morais (03/10)

FASSIN, Didier e LÉZÉ, Samuel (orgs). A questão moral: uma antologia crítica. Campinas: Editora da Unicamp, 2018. [Parte 5 – Prescrições] pp.435-534

ABU-LUGHOD, Lila. As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação? Estudos Feministas, 20(2): 256, maio-agosto/2012.

 

Aulas 10 e 11. Etnografia completa 2/3 (10/10 e 17/10)

RUI, Taniele. Nas tramas do crack: etnografia da abjeção. São Paulo: Terceiro Nome, 2014. pp.15-365

 

Aula 12. Ética, responsabilidade e agência (31/10)

Laidlaw, James. For an anthropology of ethic and unfreedom. Journal of the Royal Anthropological Institute 8: 311-332, 2002.

Robbins, Joel. Between reproduction and freedom: morality, value and radical cultural change. Ethnos 72: 293-314, 2007.

Laidlaw, James 2010. Agency and responsibility: perhaps you can have too much of a good thing?. In: Michael Lambek (org.) Ordinary Ethics: Anthropology, Language and Action. New York: Fordham University Press, 2010.

MAHMOOD, Saba. Teoria feminista, agência e sujeito liberatório: alguma reflexões sobre o revivalismo islâmico no Egipto. Etnográfica, 23(1), 2019.

Leitura complementar: ROBBINS, J. Onde no mundo estão os valores? Exemplaridade, Moralidade e Processo Social. In: Sociologias. 2015, vol.17, n.39, pp.164-196.

 

Aula 13 e 14. Etnografia completa 3/3 (07/11 e 14/11)

MATTINGLY, Cheryl. Moral laboratories: family peril and the struggle for a good life. Los Angeles: University of California Press, 2014. pp.3-218.

KLEINMAN, Arthur. Repensar a nova bioética. In: FASSIN, Didier e LÉZÉ, Samuel (orgs). A questão moral: uma antologia crítica. Campinas: Editora da Unicamp, 2018. pp. 372-383.

 

Aula 15. (21/11)

Discussão das propostas de trabalho final e avaliação coletiva do curso.