O curso irá discutir os novos paradigmas de produção relacionados às formas de produção flexível, bem como seus impactos sobre o emprego e trabalho. Na primeira parte, serão apresentadas as novas formas de organização da produção e do trabalho, as novas formas de gestão e de relação inter-firmas. Na segunda parte, as diferentes formas de precarização do trabalho serão abordadas, com ênfase na terceirização, no trabalho informal e no trabalho a domicílio. Finalmente, o curso também discutirá como os processos de flexibilização e precarização impõem uma nova interlocução para as empresas, os sindicatos e o Estado.

PROGRAMA

1) O novo paradigma – especialização flexível. (I)

· Michael J. Piore & Charles F. Sabel. The Second Industrial Divide. New York, Basic Books, 1984.(Les Chemins de la Prosperité. De la production de masse à la spécialisation souple. Paris, Hachette, 1989) Introdução (pp.3-18 edição americana epp.19-36 na edição francesa); Cap. 2 – A produção em série vista como fatalidade e decisão cega (edição americana pp. 19-48 e edição francesa pp.37-72).

· Michael J. Piore & Charles F. Sabel. The Second Industrial Divide. New York, Basic Books, 1984.(Les Chemins de la Prosperité. De la production de masse à la spécialisation souple. Paris, Hachette, 1989). Cap. 8 – As respostas corporativas à crise( edição americana pp.194-208 e ed. francesa pp.249-266); Cap.9 – História,Práticas e Estratégias Nacionais (edição americana pp.221-234, edição francesa pp. 281-297); Cap. 10 Keynesianismo internacional e especialização flexível ( ed. americana pp. 258-280 e ed.francesa pp.324-351).

· Sabel, Charles F. & Zeitlin, Jonathan. “Stories, strategies,structures”rethinking historical alternatives to mass production”. In.Charles F. Sabel and Jonathan Seitlin Ed.s. World of Possibilities. Flexibility and mass production in western               industrailization. Cambridge University Press, 1997.

2)Especialização flexível e força de trabalho: polarização das qualificações ou re-qualificação?

· Horst Kern & Michael Schumann. La fin de la division du travail? La rationalisation dans la production industrielle.Paris, Ed. Maison des Sciences de l’Homme, 1989. Cap. I “Des surprises lors de l’approche du thème de l’étude”pp 1-32 e Cap. VI “La segmentation, variante moderne de la polarisation”,pp 345 a382.

3)Especialização flexível, post-fordismo e a teoria da regulação

· Paul Hirst and Jonathan Zeitlin. “Flexible specialization versuspost-Fordism: theory, evidence and policy implications” Economy and Society. v.20, n.1. February, 1991.

Textos de apoio:

· Coutrot, Thomas. L’entreprise néo-libérale, nouvelle utopie capitaliste?. Paris,Editions de la Découverte, 1998.

· Ash Amin. “Post-Fordism: Models, Fantasies and Phantoms of Transition”.in Post-Fordism.Cambridge, Blackwell, 1994. pp… 1 – 39

· Hubert Schmitz. “Flexible Specialisation – A New Paradigm of Small-Scale Industrialisation?” IDS Discussion Paper,n. 261, may 1989.

4)A experiência italiana: o caso da Emília Romagna

· Capecchi, Vittorio. “In search of flexibility: the Bologna metalworking industry. 1900-1992”. In: Charles F. Sabel and Jonathan Seitlin Ed.s. Worldof Possibilities. Flexibility and mass production in western industrailization. Cambridge University Press., 1997

· Vittorio Capecchi. “La Economia Informal y el desarrollo de laespecialización flexible en Emíllia Romagna”. in: Alejandro Portes Ed. La Economica Informal En los Países Dessarrolldaos y en los Menos Avanzados.Buenos Aire, Planeta Política y Sociedad, 1990.

· Sebastiano Brusco.(1982). “The Emilian Model: productive descentralisation and social integration.” Cambridge Economic Journal. v.6, n.2.

5)O Modelo Japonês

· Benjamin Coriat. Pensar pelo avesso. O modêlo japonês de trabalho e organização. Rio de Janeiro, UFRJ/ Revan, 1994.

Textos de apoio:

· Benjamin Coriat.”Ohno e a Escola Japonesa de Gestão da Produção:Um Ponto de Vista de Conjunto”. In: Helena Hirata Org. Sobre o Modelo Japonês. Automatização , novas formas de organização e relações de trabalho. São Paulo, EDUSP/Aliança Cultural Brasil Japão, 1993.

· Afonso Fleury. “Novas tecnologias, capacitação tecnológica e processo de trabalho: comparações entre o Modelo Japonês e o brasileiro.” In: Helena Hirata Org. Sobre o Modelo Japonês. Automatização , novas formas de organização e relações de trabalho. São Paulo, EDUSP/Aliança Cultural Brasil Japão, 1993.

6)Produção Flexível e Precarização

· Robert Castel. “Les métamorphoses de la question sociale”. Paris,Fayard, 1995. Introdução, Cap. VIII, e Conclusão.

· Beynon, Huw. The Changing Practices of Work.” In: Richard K. Brown ed. The Changing Shape of Work.London,Macmillan, 1997.

Textos de apoio:

· Tilly, Cris and Tilly, Charles. Work under Capitalism. West view Press, 1998.

· Pierre Bourdieu et alii. “Les Nouvelles Formes de Domination dans leTravail”. In Actes de la Recherche en Sciences Sociales. Paris, SEUIL, No114, Septembre 1996.

· Jorge Eduardo Mattoso. “O novo e inseguro mundo do trabalho nos países avançados”. In O mundo do trabalho – crise e mudança no final do século . São Paulo,Scritta/Cesit-Unicamp/MTb-PNUD, 1994. Pp. 521-562

7)Produção Flexível e Precarização

· Charles Tilly et alii. “Scholarly controversy: Global Flows of Laborand Capital”. In International Labor and Working-Class History. No 47, Spring 1995, Cambridge University Press. Pp.1-55.

· Béatrice Appay. “Précarisation sociale et restructurations productives”. Précarisation sociale, travail et santé. Paris, IR|ESCO, 1997.

· Brown, Richard (1997) . “Flexibility and Security. Contradictions inthe Contemporary Labour Market. In: Richard K. Brown ed. The Changing Shape of Work.London,Macmillan.

Textos de apoio:

· Béatrice Appay.“Concentration and atomization of productive systems:the paradox of controlled autonomy” e “Precarisation”and strategic power”.XIII th World Congress of Sociology. 18-23 July 1994. Bielefeld, Germany.

· Béatrice Appay. “Individu et collectif: questions à la sociologie du travail et des professions. L’autonomie contrôlée”. Cahiers du GEDISST. IRESCO/CNRS. n. 6. 1993.

8)Globalização: cadeias produtivas e divisão internacional do trabalho

· Gary Gereffi, Migyel Korzeniewicz e Roberto Korzeniewicz. “Introduction:Global Commodity Chains”. In: Gary Gereffi & Miguel Korzeniewicz Eds. Commodity Chains and Global Capitalism. Westport & London, Praeger, 1994. pp. 1 a14.

· Naeyoung Lee & Jeffrey Cason. “Automobile Commodity Chains in the NICs: a comparison of South Korea, Mexico and Brazil.” In: Gary Gereffi & Miguel Korzeniewicz Eds. Commodity Chains and Global Capitalism. Westport & London, Praeger, 1994. pp.. 223a 243.

Textos de apoio:

· Gary Gereffi & Gary G. Hamilton. “Commodity Chains and Embedded Networks: The Economic Organization of Global Capitalism”. Paper presented at the Annual Meeting of the American Sociological Association, New York, August 1996. mimeo.

· Khosrow Fatemi Ed. The Maquiladora Industry. Economic Solution or Problem? New York,, Westport & London,Praeger, 1990.

9)Terceirização, Setor Informal e Trabalho a Domicílio

· Manuel Castells e Alejandro Portes. “El mundo sumergido: los orígenesy los efectos de la economía informal”. in:Alejandro Portes Ed. La Economica Informal En los Países Dessarrollados y en los Menos Avanzados. Buenos Aires,Planeta Política y Sociedad, 1990. pp.. 21 – 48. (em inglês “WorldUnderneath: The Origins, Dynamics, and Effects of the Informal Economy”. in: The Informal Economy.London, The John Hopkins University Press, 1991. pp. 11-37)

· Alice Abreu & Bila Sorj. “Trabalho a domicílio nas sociedades contemporâneas – uma revisão da literatura recente”. In O Trabalho Invisível – estudos sobre trabalhadores a domicílio no Brasil”.Rio de Janeiro, Rio Fundo Ed., 1993. pp. 11-24.

· Luis Antônio Machado. “Informalidade e Crise Econômica”. Tempo e Presença. n. 288,julho/agosto de 1996. pp. 10-13.

Texto de apoio:

· Sheila Rowbotham. “Homeworkers Worldwide”. London, Merlin, 1993. pp.18-55.

10) Produção flexível e e gênero.

· Alice Rangel de Paiva Abreu. “Especialização flexível, qualificação e composição da força de trabalho: a contribuição da perspectiva de gênero para o debate”. São Paulo em Perspectiva, n. 38, jan/fev/março 1994.

· Bradley, Harriet. (1997) “Gender and Change in Empoyment. Feminization and its Effects” In: Richard K. Brown ed. The Changing Shape of Work.London,Macmillan.

· Helena Hirata. “Reestruturação produtiva, trabalho e relações de gênero”. Revista Latino-americana de Estudos do Trabalho. Ano 4, No 7, SP,Alast, 1998.

Textos de apoio:

· Abramo, Láis e Abreu, Alice R. de Paiva (orgs.) Gênero e Trabalho na Sociologia Latino-americana. Rio de Janeiro e São Paulo, ALAST, 1998.

· Lourdes Benería & Martha Roldán. The Cross roads of Class & Gender. Industrial Homework, Subcontracting, and Household Dynamics in Mexico City. The University of Chicago Press, 1987.

· Diane Elson. “Appraising recent developments in the world market fornimble fingers: accumulation, regulation, organisation”. in:A. Chhachhi and R. Pittin (eds.). Confronting State, Capital and Patriarchy: Women Organizing the Process of Industrialization. Macmillan,1995.

· Lourdes Benería and Catharine R. Stimpson (eds.) Women,Households, and the Economy. New Brunswick and London, Rutgers University Press, 1987.

· Elizabeth Souza-Lobo. A Classe Operária tem Dois Sexos: Trabalho, Dominação e Resistência. São Paulo, Ed. Brasiliense,1991. Parte II – “O Gênero no Trabalho: Perspectivas Teóricas e Metodológicas”.

11) O novo paradigma no Brasil: novas formas de organização do trabalho (I)

· John Humphrey. “New Issues in the Sociology of Work”. Primeiro Congresso Latino-americano de Sociologia do Trabalho, UNAM, Cidade do México,22-26 de novembro de 1993.

· Laís Wendel Abramo. “Novas Tecnologias, Difusão Setorial, Emprego e Trabalho no Brasil”. Boletim Informativo Bibliográfico, no. 30, pp.1-80, 1990.

· Mário Sérgio Salerno. “Modelo Japonês, Trabalho Brasileiro”.in: Helena Hirata Org. Sobre o Modelo Japonês. Automatização , novas formas de organização e relações de trabalho. São Paulo, EDUSP/Aliança Cultural Brasil Japão, 1993.

Texto de apoio:

· Castro, Nadya Araujo e Dedecca, Claudio S. (orgs.) A Ocupação na América Latina.Tempos mais duros. Rio de Janeiro e São Paulo, ALAST, 1998.

· John Humphrey. “Novas formas de organização do trabalho na indústria:suas aplicações para o uso e controle da mão-de-obra no Brasil”. Seminário Internacional Padrões Tecnológicos e Processo de Trabalho: Comparações Internacionais. São Paulo, DEP/EPUSP,1989.mimeo.

· Márcia de Paula Leite. “Reestruturação produtiva, novas tecnologias e novas formas de gestão da mão-de-obra”. In O mundo do trabalho – crise e mudança no final do século. São Paulo, Scritta/Cesit-Unicamp/MTb-PNUD, 1994. pp. 563-587.

· Mário Sérgio Salerno. “Flexibilidadee Organização Produtiva”. in: Nadya Castro (org.) A máquina e o equilibrista. Inovações na indústria automobilística brasileira. São Paulo, Paz e Terra, 1996. pp. 53-83.

12)Produção Flexível e Ação Sindical I

· Richard Hyman. “Los sindicatos y la desarticulación de la clase obrera”.In Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo. Año 2, No 4, 1996. pp. 9-28.

· Cutler, Jonathan & Aranowitz, Stanley. (1998)“Quitting Time. An   Introduction”. In: Stanley Aronowitz and Jonathan Cutler Editors. Post-Work.Thewages of Cybernation. New York and London, Routledge.

· Munck, Ronaldo. “Labour dilemmas and labour futures”. Labour Worldwide in the era of globalization. Londres, Macmillan, 1999.

· Ana Maria Catalano. “The crisis of Trade Union Representation: new forms of social integration and autonomy-construction”. Labour Worldwide in the era of globalization. Londres, Macmillan, 1999.

13)Produção Flexível e Ação Sindical II

· Nadya Araújo Castro. “Modernização e Trabalho no complexo automotivo brasileiro”. in: Nadya Castro (org.)A máquina e o equilibrista. Inovaçõesna indústria automobilística brasileira. São Paulo, Paz e Terra, 1996.pp. 17-49.

Adalberto M. Cardoso e Álvaro A. Comin. “Câmaras setoriais, modernização produtiva e democratização nas relações de trabalho no Brasil: a experiência do setor automotivo”. in Nadya Castro (org.).A máquina e o equilibrista. Inovações na indústria automobilística brasileira. São Paulo, Paz e Terra, 1996