Docente: Bruno Cardoso

créditos: 3

carga horária: 45 Horas

curso: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia

período letivo: 2019/1

dia e horário: TERÇAS-FEIRAS, das 9:00 às 12:00

Programa em pdf 

Programa: O curso tem por objetivo discutir e compreender a relação entre comunicação, tecnologia e o cenário político no Brasil e no mundo no final da década de 2010. Introduzindo a discussão, é apresentada a ascensão de uma nova direita, de viés populista e conservador, em diferentes países e continentes, como principal fenômeno político contemporâneo. Completando a primeira parte do curso, são trazidas possíveis interpretações para esses fenômenos que levam em conta: a mobilização identitárias e organização em rede; a reação dos grupos privilegiados aos movimentos contestatórios em um contexto de crise econômica; a ofensiva política e cultural do neoliberalismo, provocando efeitos contraditórios entre condições materiais de vida e subjetivação; a negação da crise ambiental e o abandono da solidariedade e da ideia de comum; e o desenvolvimento da economia baseada na captação e processamento de dados pessoais para influir nos comportamentos. Na segunda parte do curso, essas interpretações são reforçadas e/ou discutidas a partir de alguns temas e casos empíricos em contextos bastante diversos, mas que se combinam na composição do cenário político atual tendo tecnologias de comunicação por internet como fio condutor.

ROTEIRO E BIBLIOGRAFIA:

Aula 1

Apresentação do curso

Parte I – O renascer de um passado diferente: como chegamos aqui?

Aula 2 – Mundo, 2019: a ascensão de um nova (velha?) direita

ALEXANDER, Jeffrey. “Vociferando contra o Iluminismo: a ideologia de Steve Bannon”. Sociologia & Antropologia, 8 (3), 1009-1023. 2018. https://dx.doi.org/10.1590/2238-38752018v8310

THOMPSON, Mark. “Bloodied Democracy: Duterte and the Death of Liberal Reformism in the Philippines”. Journal Of Current Southeast Asian Affairs, 35(3), 39-68. 2016. https://journals.sub.uni-hamburg.de/giga/jsaa/article/view/1009

RUPNIK, Jacques. “Hungary’s Illiberal Turn: How Things Went Wrong”. Journal of Democracy, vol 23, n 3, pp. 132-137. 2012. doi: 10.1353/jod.2012.0051

SZELEWA, Dorota. “The second wave of anti-feminism? Post-crisis maternalist policies and the attack on the concept of gender in Poland”. Gender, rovné příležitosti, výzkum 15 (2): 33-47. 2014. doi: 10.13060/12130028.2014.15.2.129

II – Como chegamos aqui? Interpretações sobre o hoje

Aula 3 – Movimentos identitários em rede

CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. “Introdução” (17-20), “1 – Paraísos comunais: identidade e significado na sociedade em rede” (21-92) e “2 – A outra face da Terra: movimentos sociais contra a nova ordem global” (93-140). São Paulo; Paz & Terra. 2010.

Aula 4 – Masculinidade branca em crise

KIMMEL, Michael. Angry White Men: American masculinity at the end of an era. “Preface” (ix-xvii), “Introduction: America, the Angry” (1-30), “3 – White Men as Victims: The Men’s Rights Movement” (99-134) e “6 – Mad Men: The Rage(s) of the American Working Man” (199-226). New York; Nations Books. 2013.

Aula 5 – Neoliberalismo e a crise democrática

DARDOT, Pierre & LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. “4 – O homem empresarial” (133-155), “5 – Estado forte, guardião do direito privado” (156-185), “9 – A fábrica do sujeito neoliberal” (321-376) e “Conclusão: o esgotamento da democracia liberal” (377-402). São Paulo; Boitempo. 2016.

Aula 6 – Desregulações ambientais e negacionismo

LATOUR, Bruno. Down to Earth: Politics in the New Climate Regime. Cambridge: Polity Press. 2018.

Aula 7 – Capitalismo de vigilância

ZUBOFF, Shoshana. “Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma civilização da informação”. Tecnopolíticas da vigilância: perspectivas da margem (Bruno, Cardoso, Kanashiro, Guilhon e Melgaço (orgs.)). 2018. São Paulo: Boitempo.

ZUBOFF, Shoshana. The Age of Surveillance Capitalism: the fight for a human future at the new frontier of power. “Part II: The advance of Surveillance Capitalism” (190-328). New York; Public Affairs. 2019.

Parte II –

Aula 8 – (Anti)Feminismo

VALENTE, Mariana & NERIS, Natália. “Elas vão feminizar a internet? O papel e o impacto do ativismo online para os feminismos no Brasil” (105-119), SUR 27, v. 15 n. 27. 2018. https://sur.conectas.org/wp-content/uploads/2018/07/sur-27-portugues-mariana-valente-natalia-neris.pdf

KIMMEL, Michael. Angry White Men: American masculinity at the end of an era. “6 – Targeting Women” (169-198). New York; Nations Books. 2013.

SUNDÉN, Jenny & PAASONEN, Susanna. Shameless hags and tolerance whores: feminist resistance and the affective circuits of online hate”, Feminist Media Studies, 18:4, 643-656. 2018. DOI: 10.1080/14680777.2018.1447427

Aula 9 – Questões raciais e internet

SEDREZ CHAVES, Leslie & COGO, Denise. “Ativismo pela igualdade racial no Brasil, comunicação em rede e Internet: o caso da agência Afropress”. index.comunicación 3(2), 211-245. 2013.

http://journals.sfu.ca/indexcomunicacion/index.php/indexcomunicacion/article/view/99

LEE, Latoya. “Black Twitter: A Response to Bias in Mainstream Media.” Soc. Sci. 6, no. 1: 26 (1-17). 2017. https://doi.org/10.3390/socsci6010026

INCE, Jelani; ROJAS, Fabio & DAVIS, Clayton. The social media response to Black Lives Matter: how Twitter users interact with Black Lives Matter through hashtag use”, Ethnic and Racial Studies, 40:11, 1814-1830. 2017. DOI: 10.1080/01419870.2017.1334931

FLORES-YEFFAL, Nadia; VIDALES, Guadalupe & MARTINEZ, Girsea. “#WakeUpAmerica, #IllegalsAreCriminals: the role of the cyber public sphere in the perpetuation of the Latino cyber-moral panic in the US”. Information, Communication & Society, 1–18 (402-419). doi:10.1080/1369118x.2017.1388428

Aula 10 – Extrema-direita e supremacismo branco

CAIANI, Manuela; DELLA PORTA, Donatela & WAGEMANN, Claudius. Mobilizing on the Extreme Right: Germany, Italy and the United States. “1 – The Extreme Right and Social Movement Studies: An Introduction” (1-19), “7 – Fighting Modernity: The Extreme Right

and Conservative Values” (132-147), “8 – Racism: Old and New Forms?” (148-167) e “10- The Extreme Right, Populism, and Politics” (190-204). Oxford: Oxford University Press. 2012.

KOMPATSIARIS, Panos & MILONAS, Yiannis. “The Rise of Nazism and the Web: Social Media as Platforms of Racist Discourses in the Context of the Greek Economic Crisis”. (109-130). Social media, politics and the state : protests, revolutions, riots, crime and policing in the age of Facebook, Twitter and YouTube (Trottier & Fuchs (orgs.)). New York: Routledge. 2015.

Aula 11 – Redes e ruas: protestos, anarquismo e autoritarismo

GERBAUDO, Paolo. “Populism 2.0: Social media activism, the generic Internet user and interactive direct democracy”. (67-87). Social media, politics and the state : protests, revolutions, riots, crime and policing in the age of Facebook, Twitter and YouTube (Trottier & Fuchs (orgs.)). New York: Routledge. 2015

GERBAUDO, Paolo. The mask and the flag: populism, citizenism and global protest. “1- Movements in the Crisis of Neoliberalism” (29-59), “2 – Anarchism, populism, democracy” (61-88) e “Conclusion: after the democratic awakening” (233-247). Oxford: Oxford University Press. 2017.

FUCHS, Christian. “Authoritarian Capitalism, Authoritarian Movements and Authoritarian Communication.” Media, Culture & Society, vol. 40, no. 5, July 2018, pp. 779–791, doi:10.1177/0163443718772147.

Aula 12 – Think tanks e neoliberalismo

DJELIC, Marie-Laure. “Spreading Ideas to Change the World: Inventing and Institutionalizing the Neoliberal Think Tank”. Political Affair: Bridging Markets and Politics. Christina Garsten (ed) and Adrienne Sörbom (ed). 2014.

https://ssrn.com/abstract=2492010

MATO, DANIEL. “Instituciones privadas, empresarios, dirigentes sociales, economistas, periodistas y otros profesionales en la producción y difusión mundial de ideas (neo)liberales”. Estudos de sociologia (São Paulo), Brasil, 2005 N. 18-19 , Pág. 89-115.

Aula 13 – Neoliberalismo latino-americano e capitalização ambiental

DE SOTO, Hernando. “The Mistery of Capital”. Finance & Development, vol 38 n.1, March 2001. http://home.cerge-ei.cz/dragana/DeSoto_2001.pdf

DE SOTO, Hernando. “This Land Is Your Land: A Conversation with Hernando de Soto.” World Policy Journal, vol. 28 no. 2, 2011, pp. 35-40. Project MUSE, muse.jhu.edu/article/450602

Filme: El Misterio del Capital de los Indígenas Amazónicos – 28 minutos

https://vimeo.com/6435230

WIELAND, Patrick; THORNTON, Thomas. “Escuchando ladrar a los perros: Hernando de Soto y su receta para la Amazonía”. Derecho PUCP, [S.l.], n. 70, p. 325-344, july 2013. http://revistas.pucp.edu.pe/index.php/derechopucp/article/view/6756/6873.

Aula 14 – Pós-verdade e fake news

SISMONDO, Sergio. “Post-Truth?” Social Studies of Science 47, no. 1 (February 2017): 3–6. doi:10.1177/0306312717692076.

SALGADO, Susana. “Online media impact on politics. Views on post-truth politics and postpostmodernism”. International Journal of Media & Cultural Politics Volume 14 Number 3. September 2018. pp 317-331.

https://www.ingentaconnect.com/content/intellect/mcp/2018/00000014/00000003/art00004#

RIBEIRO, Márcio Moretto & ORTELLADO, Pablo. “O que são e como lidar com as notícias falsas: “, SUR 27, v. 15 n. 27. 2018. (71-83), https://sur.conectas.org/wp-content/uploads/2018/07/sur-27-portugues-marcio-moretto-ribeiro-pablo-ortellado.pdf

HAMELEERS, Michael; BOS, Linda; FAWZI, Nayla ; REINEMANN, Carsten; ANDREADIS, Ioannis; CORBU, Nicolet; SCREMER, Christian et al. “Start Spreading the News: A Comparative Experiment on the Effects of Populist Communication on Political Engagement in Sixteen European Countries.” The International Journal of Press/Politics 23, no. 4 (October 2018): 517–38. doi:10.1177/1940161218786786.

Aula 15 – Algoritmos que fazem fazer

O’NEILL, Cathy. Weapons of Math Destruction: how big Data increases inequality and threaten democracy. “Introduction” (12-21), “1 – Bomb Parts? What is a model?” (22-34), “4 – Propaganda Machine: online advertisement” (62-73), 10 – The Targeted Citizen: Civic Life” (144-157). Crown, 2016.

Filme: Driblando a democracia, 58 minutos (2018).