Professores: Helga Gahyva e Marcelo Diana

Período: 2019.01

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Ementa

O curso propõe um percurso de leitura intenso, embora não exaustivo, das relações epistemológicas e intelectuais entre os campos historiográfico e das Ciências Sociais. Coloca em diálogo, por meio de tópicos fundamentais relativos a essas duas áreas, autores e obras que foram, de certa maneira, contemporâneos em seus interesses de estudo, obras ou leituras que se cruzaram em um determinado momento das disciplinas. Pergunta-se, principalmente, em que medida distintas concepções de saber historiográfico e de narrativa histórica foram incorporadas pelos diferentes intérpretes das Ciências Sociais. Trata-se, portanto, de colocar em perspectiva o campo da História nas Ciências Sociais a partir dos caminhos tomados por essas disciplinas ao longo do século XX. Espera-se, com esse diálogo reflexivo, oferecer repertório para contribuir na percepção dos limites e dos potenciais das análises históricas em Ciências Sociais.

Programa de curso

Aula 1 – Apresentação do curso

Aula 2 – Estatuto epistemológico da História nas Ciências Sociais

BUCKHARDT, Jacob. “O Estado como obra de arte” & “A descoberta do mundo e do homem”. In: ____. A cultura do Renascimento na Itália. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

ELIAS, Norbert. “Sociogênese da diferença entre Kultur e Zivilisation no emprego alemão”. In: ____. O processo civilizador: uma história dos costumes (volume 1). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

MATA, Sérgio da. “Max Weber e a ciência histórica”. In: ____. A fascinação weberiana: as origens da obra de Max Weber. Belo Horizonte: Fino Traço, 2013, pp. 115-127.

WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Aula 3 – Annales Sociologiques e Annales d’historie

BLOCH, Marc. Os reis taumaturgos: o caráter sobrenatural do poder régio, França e Inglaterra. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, pp. 39-87; 267-278.

DURKHEIM, Emile. “Introdução” & “Conclusão”. In: ____. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

MAUSS, Marcel. “Esboço de uma teoria geral da magia”. In: ____. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

Aula 4 – Processo civilizador e História do sujeito: civilidade, cultura e técnicas de si

ELIAS, Norbert. “Apêndice: introdução à edição de 1968”. In: ____. O processo civilizador: uma história dos costumes (volume 1). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994, pp. 214-251.

FOUCAULT, Michel. “Aula de 6 de janeiro de 1982 (primeira e segunda horas)”. In: ____. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2006, pp. 3-52.

Aula 5 – Quando o pau come na Université

BRAUDEL, Fernand. “A longa duração” & “Historia e sociologia”. In: ____. História e Ciências Sociais. Lisboa: Tresença, 1970, pp. 7-40; 69-86.

LÉVI-STRAUSS, Claude. “Etnologia e história”. In: ____. Antropologia estrutural. São Paulo: Cosac & Naify, 2008, pp. 13-40.

REVEL, Jacques. “História e Ciências Sociais: os paradigmas dos Annales”. In: ____. A invenção do sociedade. Rio de Janeiro: DIFEL, 1989.

Aula 6 – Escapes da consciência social: contribuições da língua inglesa (Parte 1)

ANDERSON, Bennedict. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (capítulos I, II, III e XI).

THOMPSON, E. P. “Economia moral da multidão no século XVIII” & “Rough Music”. In: ____. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SAHLLINS, Marshall. “Capitão James Cook, ou o Deus Agonizante”. In: ____. Ilhas de História. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. pp. 140-171.

Aula 7 – Escapes da consciência social: contribuições da língua inglesa (Parte 2)

BENDIX, Reinhardt. “Estudos de nossa ordem social e mudança” & “Parte 3: Reavaliação dos Conceitos de Tradição e Modernidade”. In: ____. Construção Nacional e Cidadania. São Paulo: EDUSP, 1996.

MILLS, Charles Wright. “A grande teoria”. In: ____. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

MOORE JR., Barrington. As origens sociais da ditadura e da democracia. São Paulo: Martins Fontes, 1983 (Primeira Parte & Terceira Parte).

SKOCPOL, Theda. “A imaginação histórica da sociologia”. In: Estudos de Sociologia, Araraquara, nº. 16, pp. 7-29, 2004.

Aula 8 – História dos conceitos e teoria social

KOSELLECK, Reinhart. “História dos conceitos e história social” & “‘Espaço de experiência’ e ‘horizonte de expectativa’: duas categorias históricas”. In: ____. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.

POCOCK, J. G. A. “Introdução” & “O conceito de linguagem e o métier d’historien”. In: ____. Linguagens do Ideário Político. São Paulo: Editora da UNESP, 2003.

SKINNER, Quentin. Liberdade antes do liberalismo. São Paulo: Editora UNESP, 1999.

Aula 9 – Antropologia e História (Parte 1)

DARNTON, Robert. Boemia literária e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1987 (capítulo 1).

GEERTZ, Clifford. “A descrição densa: por uma teoria interpretativa da cultura”. In: ____. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

GINZBURG, Carlo. “Sinais. Raízes de um paradigma indiciário”. In: ________. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

REVEL, Jacques. “As regras do motim: o caso dos raptos der crianças (Paris, Maio de 1750)”. In: ____. A invenção da sociedade. Lisboa: DIFEL, 1989.

Aula 10 – Antropologia e História (Parte 2)

FERREIRA, Letícia Carvalho de. Dos autos da cova rasa: a identificação de corpos não-identificados no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, 1942-1960. Rio de Janeiro: e-papers, 2009.

Aula 11 – Sociologia histórica no pensamento social brasileiro: o caso da apropriação weberiana

FAORO, Raymundo. “Origens do Estado Português” & “A viagem redonda”. In: ____. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. São Paulo: Globo, 1997.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

VIANNA, Luiz Werneck. “Weber e a interpretação do Brasil”. In: SOUZA, Jessé de (org.). O malandro e o protestante: a tese weberiana e a singularidade cultural brasileira. Brasília: Editora da UNB, 1999, pp. 173-194.

Aula 12 – Sociologia e História: conversas recentes (Parte 1)

ALLONSO, Angela. “A marcha da vitória” & “Futuro do pretérito”. In: ____. Flores, votos e balas: o movimento abolicionista brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

________. “Repertório, segundo Charles Tilly: História de um conceito”. In: Sociologia & Antropologia, vol. 2, nº 3, Rio de Janeiro, junho/2012.

TILLY, Charles. Coerção, Capital e Estados Europeus. São Paulo: EDUSP, 1996.

________. “Social Moviment as Historically Specific Clusters of Political Performances”. In: Berkely Journal of Sociology, v. 38, pp. 1-30, 1993-4.

Aula 13 – Sociologia e História: conversas recentes (Parte 2)

CARVALHO, Maria Alice Rezende de. O quinto século: André Rebouças e a construção do Brasil. Rio de Janeiro: Revan/IUPERJ/UCAM, 1998.

Aula 14 – Conclusão