Música, Cultura e Coleções

2018/2

Professores:

Edmundo Pereira

Wagner Chaves

Horário: Terça-feira (14 as 17 hs)

Local: Sala vermelha do PPGSA/IFCS

Obs: O curso vai ter início no dia 14 de agosto

Ementa:

O curso propõe aproximação ao tema do colecionismo ligado a múltiplas práticas e projetos: disciplinares, de desenvolvimento e autonomização de conhecimento; de poder e governabilidade, em invenção e administração audiovisual da nação e do império. Aapós momento introdutório de organização em saberes das redes de colecionamento-arquivo-edição, com ênfase nos atos de colecionamento, elege-se a dimensão sonoro-musical como foco investigativo.

Em um primeiro movimento, no quadro do colecionamento de objetos, acompanha-se a formação de coleções de instrumentos de música, aliada ao desenvolvimento da organologia, e em especial a organologia comparada. Em seguida, apresenta-se, na relação com o colecionamento narrativo-poético e de objetos, o desenvolvimento do colecionamento de cantos e temas, tanto do ponto de vista folclórico, ­quanto selvagemprimitivo. Neste contexto, apresenta-se, introdutoriamente, parte da formação da etnomusicologia, com ênfase nos métodos de produção de registros e seguinte classificação-arquivamento. Examina-se, especialmente, os casos coloniais indiano, africano e alguns nacionalismos musicais com ênfase nas relações entre música, identidade e poder.

Por fim, chega-se ao problema da edição de representações sonoras, tanto em enquadramentos de colonialidade nacional e imperial, nas ciências e nas artes; quanto de descolonialidade e indigenização nas reflexões de pesquisadores e pensadores críticos da imaginação musical do norte; e na geração de produtos culturais (como CDs e DVDs) por associações localizadas em economias de representação fonográfica complexas e justapostas sobre música.

Sessões:

1-3. Introdução

AGAWU, Kofi. 2003. Representing African Music. Postcolonial notes, queries, positions. USA: Routledge (Introduction, Colonialism’s impact).

BOURDIEU, Pierre. 1998. Economia das Trocas Linguísticas. SP: Edusp (“II. Linguagem e Poder Simbólico”).

FABIAN, Johannes. 2010. “Colecionando pensamentos: sobre os atos de colecionar”. Mana, 16(1):59-73.

GARCIA. Miguel A. 2011. “Archivos sonoros o la poética de un saber inacabado”. Artefilosofía 11, pp 36-50.

SAID, Edward. 1990. Orientalismo. O Oriente como invenção do Ocidente. SP: Cia das Letras (Introdução).

SEEGER, Anthony. 1986. ‘The role of sound archives in ethnomusicology today’, Ethnomusicology, V. 30, N. 2, pp. 261-276.

_________________. 2014. “The reel living dead: tales of sounds from the archival vaults in memory of Elizabeth Travassos”. Debates: Unirio, n. 12, p. 25-33.

4-5. Filologia, Folclore e musicologia comparada

AMES, E. 2003. “The sound of evolution”. Modernism /Modernity, 10(2), 297-325

BHMAN, Philip V. 1988. “Traditional music and cultural identity: persistent paradigm in the history of Ethnomusicology”, Yearbook for Traditional Music 20: 26–42.

GELBART, Matthew. 2007. The invention of “Folk music” and “Art music”. USA: Cambridge University Press (Introduction, Folk and Tradition: authenticity as musical idiom from the late eighteenth century onward).

KAMENETSKY, Christa. 1992. The Brothers Grimm and their Critics. Folktales and the Quest for Meaning. USA: Ohio University Press (Introduction, VI e VII)

6-7. Organografia, organologia comparada

BATES, Eliot. 2012. “The social life of musical instruments”. Ethnomusicology, 56 (3), pp. 363-395.

IRVING, David. 2009. “Comparative organography in early modern empires”. Music & Letters, 90 (3), pp. 372-398.

JAIRAZBHOY, Nazir. 1990. “The beginnings of Organology and Ethnomusicology in the West: V. Mahillon, A. Ellis, and S. M. Tagore”. Selected Reports in Ethnomusicology, VIII:67-80.

SEEGER, Anthony. 1987. “Novos horizontes na classificação dos instrumentos musicais”. In: SUMA Etnológica, v.3. Petrópolis: FINEP, Vozes.

TRAVASSOS, Elizabeth. 1987. “Glossário dos instrumentos musicais”. In: SUMA Etnológica, v.3. Petrópolis: FINEP, Vozes.

8-10. Tecnologias de representação: transcrição, gravação, edição

BÁRTOK, Bela. 1976 [1936]. “Why and How do We Collect Folk Music?”. In: Essays. USA: Benjamin Suchoff.

GOODY, Jack. 2012. “O antropólogo e o gravador de sons”. In: O Mito, o Ritual e o Oral. Petrópolis Vozes.

HAMILTON, Andy. 2003. “The art of recording and the aesthetics of perfection”. British journal of aesthetics. V.43, N4, pp 345-362.

KATZ, Mark. 2010. Capturing Sounds. How Technology has changed music. USA: University of California Press.

LEARY, James. 2014. “Harps and Accordions. The Alan Lomax Recordings”. In: Folksong of another America. Field Recording from Upper Midwest, 1937-1946. USA: University of Wisconsin Press.

SCHNEIDER, David. 2006. Bartók, Hungary and the Renewal Tradition. USA: University of California Press.

TURINO, Thomas. The recording fields: high fidelity and studio audio art, pp 65-92.

UIDHIR Christy Mag. 2007. “Recording as performance”. British Journal of Aesthetics, V.47, N.3, pp 298-314.

ZON, Bennett. 2007. Representing Non-Western Music in Nineteenth-Century Britain. UK: University of Rochester Press.

11-13. Imaginações musicais: Índia, África e nacionalismos musicais

Índia

GHUMAN, Nalini. 2014. Resonances of the Raj. India in the English Musical Imagination, 1897-1947. UK: University of Oxford Press.

WOODFIELD, Ian. 2000. Music of the Raj. A social and economic history of music in late Eighteenth Century Anglo-Indian society. UK: University of Oxford Press, 2000.

África

AGAWU, Kofi. 2003. “The invention of African Rhythm”. In: Representing African Music. Postcolonial notes, queries, positions. USA: Routledge.

ERLMANN, Veit. 1999. Music, Modernity and the Global Imagination: South Africa and the West. USA: Oxford University Press.

Nacionalismo musical

BARROS, Felipe. Música, Etnografia e Arquivo nos anos 1940: Música, etnografia e arquivo nos anos 40: Luiz Heitor Corrêa de Azevedo e suas viagens a Goiás, Ceará e Minas Gerais. RJ: Multifoco, 2014.

CARLINI, Álvaro. 1993. Cachimbo e Maracá: o Catimbó da Missão (1938). SP: CCSP.

MENDOZA, Zoila. 2008. Creating our on. Folklore, Performance and Identity in Cuzco, Peru. USA: Duke University Press (Introduction: revisiting indigenismo and folklore, La hora del charango: the cholo feeling, cuzqueñoness, Peruvianess).

TRAVASSOS, Elizabeth. 1987. Os Mandarins Milagrosos. Arte e Etnografia em Mário de Andrade e Béla Bartok RJ: Funarte, Jorge Zahar Editor (Introdução, Cartografias, A mobilidade das tradições).

15. Contra-representação sonora

AMMANN, Raymond, 1996. ‘A revival of the ancient Kanak flute’. Kulele 2:47–58.

KOCH, Grace. 1995. ‘This land is my land: the archive tells me so—sound srchives and response to the needs of indigenous australians’. IASA Journal 6:13–22.

MEINTJES, Louise.“O sentimento da política: produzindo zuliidade em um estudio da África do Sul. Debates, 8, 2014: 71-92.

NEUENFELDT, Karl. 2005. “Nigel Pegrum, “Didjeridu-Friendly Sections” and What Constitutes an “Indigenous” CD: an australian case study of producing World Music recordings”. In: GREENE, Paul & PORCELLO, Thomas (Eds.). Wired for Sound. Engineering and Technologies in sonic cultures. USA: Wesleyan University Press.