Ementa

 

O presente curso pretende explorar algumas discussões sobre circulações e mobilidadesà luz de dois elementos chaves presentes nelas. Por um lado, o lugar que elas têm para pensar a natureza das unidades e dos grupos e sobre a forma em que os imaginamos. Por outro lado, o lugar que essas discussões têm para pensar o valor, tanto em termos sociais como econômicos. Para isso, exploraremos diversos trabalhos clássicos e contemporâneos que nos permitiram ir mapeando debates, conceitos, abordagens e problemáticas que nos brindem ferramentas para as nossas próprias pesquisas. A proposta de trabalho final é utilizar essas ferramentas na analise de pesquisas realizadas no Brasil.

O conceito final estará composto por três elementos. O primeiro deles é a participação em sala de aula, acompanhando a leitura regular dos textos do programa (30% da nota final). O segundo elemento é a apresentação de um seminário ao longo do curso (30% da nota final). O terceiro elemento é a elaboração de um trabalho final (40% da nota final). Como em todas as disciplinas do programa, é obrigatória a presença em 75% das aulas da disciplina.

 

 

 

Programa

 

1. Apresentação do curso.

 

2. Três entradas para repensar espaços, mobilidades e circulações.

 

URRY, John. 2004 (2001). “The Sociology of Space and Place.” In Judith R. Blau (ed.) The Blackwell Companion to Sociology. Malden, Oxford, Victoria: Blackwell Publishing.  Pp. 3-15.

 

LEE, Benjamim and Edward LIPUMA. 2002. “Cultures of Circulation: The Imagination of Modernity.” In Public Culture 14(1):191-213.

 

HAHN, Hans Peter. 2008. “Diffusionism, Appropriation, and Globalization: Some Remarks on Current Debates in Anthropology.” In Anthropos: International Review of Anthropology and Linguistics 103: 191-202.

 

3. De migrantes e estrangeiros.

 

SIMMEL, Georg. 2005 (1908). “O estrangeiro.” In RBSE 4(12): 265-271.

 

THOMAS, William.I. & Florian ZNANIECKI. 1974 (1918). The Polish Peasant in Europe and America. New York, Octagon Books. (Trechos a selecionar)

 

4. De nômades e outros grupos em movimento.

 

SAHLINS, Marshall. [1972] 1978. “A primeira sociedade da afluência” In: Carvalho, Edgar A. (org.) Antropologia Econômica. São Paulo: Editora Ciência Humanas. Pp. 7-44.

 

BERLAND, Joseph C. e Aparna RAO. 2004. “Unveiling the Stranger: A New Look at Peripatetic Peoples.” In Joseph C. Berland and Aparna Rao (eds.) Customary strangers : new perspectives on peripatetic peoples in the Middle East, Africa, and Asia. Westport: Praeger Publishers. Pp.1-29.

 

5. Das mobilidades às circulações .

 

ALMEIDA, Alfredo Wagner e Moacir G.S. PALMEIRA. 1977. “A invenção da migração.” In: Relatório Final do Projeto Emprego e Mudança Sócio-econômica no Nordeste: vol. 1. Rio de Janeiro: PPGAS-MN/UFRJ. (Manuscrito).

 

CHAPMAN, Murray e R. Mansell PROTHERO. 1983. “Themes on circulation in the Third World”, In  International Migration Review, 17: 597-632.

 

6. Em torno à natureza do valor.

 

MARX, Karl. [1867] “Parte 1: Mercadoria e Dinheiro”. O Capital. Volume 1. (Capitulo 1, 2 e 3).

 

APPADURAI, Arjun. 1986. “Introduction: Commodities and the Politics of Value.” Em Arjun Appadurai (ed.) The Social Life of Things: Commodities in Cultural Perspective.Cambridge: Cambridge University Press. Pp. 3-63.

 

7. A produção de valor na circulação de pessoas.

 

LÉVI-STRAUSS, Claude. [1949]. 1982. “Capítulo IX, Capítulo X, Capítulo XV, Capítulo XVI, Capítulo XXIX.” In: Estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes.

Pp. 159-184. 279-311, 519-537.

(Capítulos: O casamento dos primos; A troca matrimonial, Os doadores de mulheres, A troca e a compra, Os princípios do parentesco)

 

RUBIN, Gayle. 1973. “The Traffic in Women: Notes on the “Political Economy” of Sex.”

In Rayna R. Reiter (ed.) Toward an Anthropology of Women. Nova York: Monthly Review. Pp.157-210.

 

8. Circulação de valores e pessoas.

 

Malinowski, Bronislaw. [1922]. Argonauts of Western Pacific. George Allen & Unwin, London. Capítulo 1; Capítulo 2[seção VIII]; Capítulo 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 20, 21, 22.

 

9. Sobre a circulação de pessoas e valores.

 

WEINER, Annette B. 1992. “Preface. Introduction. Chapter 1. Chapter 5. Afterword.” In Inalienable Possessions: The Paradox of Keeping-While-Giving. Berkeley, Los Angeles, Oxford: University of California Press. Pp. ix-xiii; 1-43; 131-155.

 

STRATHERN, Marylin. 1996. “Cutting the Network.” In Journal of the Royal Anthropological Institute 2(3): 517–31.

 

10. Reconfigurações a partir da circulação de pessoas e valores.

 

FONSECA, Claudia. 2006 (2001). “Da circulação de crianças à adoção internacional: questões de pertencimento e posse” In cadernos pagu (26):11-43.

 

ONG, Aihwa. 1999. “The Pacific Shuttle: Family, Citizenship, and Capital Circuits.” InFlexible Citizenship: the Cultural Logic of Transnationality. Durham & London: Duke University Press. Pp. 110-136

 

SAFRI, Maliha & Julie GRAHAM. 2010. “The Global Household: Toward a Feminist Postcapitalist International Political Economy.” In Signs 36 (1): 99-125.

 

 

11. Paisagens transnacionais.

 

HANNERZ, Ulf. 1997. “Fluxos, fronteiras, híbridos: palavras-chave da antropologia transnacional.” In Mana, 3(1): 7-39.

 

GLICK SCHILLER, Nina. 2007 (2004). “Transnationality.” In: David Nugent & Joan Vincent (eds.) A Companion to the Anthropology of Politics. Pp. 448-467. Malden, Oxford, Victoria: Blackwell Publishing.

 

SALAZAR, Noel B. & Alan SMART. 2011. “Introduction: Anthropological Takes on (Im)Mobility.” In Identities: Global Studies in Culture and Power, 18: i-ix.

 

12. Infraestruturas e conexões

 

WOLMAR, Christian. 2009. Blood, Iron and Gold: How the Railways Transformed the World. London: Atlantic Books. Pp. 11-14; 138-153, 197-206.

(Preface; The Railway Revolution; Railway Renaissance).

 

LEVINSON, Marc. 2006. The box: how the shipping container made the world smaller and the world economy bigger. Princeton: Princeton University Press. Pp. 1-53; 127-149; 264-278.

(The World the Box Made; Gridlock on the Docks; The Trucker; Setting the Standard; Just in Time).

 

BUTTON, Kenneth. 2009. “Air Transportation.” In Kenneth A. Reinert & Ramkishen S. Rajan (eds.) The Princeton Encyclopedia of the World Economy. Princeton and Oxford: Princeton University Press. 57-61.

 

GARTH, Bryant G. 2008. “The Globalization of the Law.” In Keith E. Whittington, R.Daniel Kelemen & Gregory A. Caldeira (eds) The Oxford Handbook of Law and Politics. Oxford: Oxford University Press. Pp. 245-264

 

13. Ensamblagens 

 

SASSEN, Saskia. 2006. “Part Three: Assemblages of a Global Digital Age.” In: Territory, Authority, Rights: From Medieval to Global Assemblages. Princeton & Oxford: Princeton University Press. Pp. 323-424.

(Ch. 7 Digital Networks, State Authority, and Politics State Authority Confronts Digital Networks; Ch. 8 Assembling Mixed Spatial and Temporal Orders:Elements for a Theorization; Ch 9. Conclusion).

 

VAN SCHENDEL, Willem. “Spaces of Engagement: How Borderlands, Illegal Flows, and Territorial States Interlock.” In Willem van Schelden & Itty Abraham (eds.) Illicit Flows: State, Borders, and the Other Side of Globalization. Bloomington & Indianapolis: Indiana University Press. Pp. 38-68.

14. Novas paisagens

 

RAJAN, Kaushik Sunder. 2006. “Introduction. Chapter 1. Chapter 2.” In Biocapital: The constitution of postgenomic life. Durham & London: Duke University Press. Pp. 1-103.

(Introduction: Capitalisms and Biotechnologies, Chapter 1: Exchange and Value: Contradictions in Market Logic in American and Indian Genome Enterprises; Chapter 2: Life and Debt: Global and Local Political Ecologies of Biocapital).

 

15. Discussão final e apresentação das propostas de trabalho.

 

 

 

 

Lista de pesquisas para serem selecionadas e analisadas no trabalho final

 

 

ALBUQUERQUE, José Lindomar C. 2010.A dinâmica das Fronteiras: Os brasiguaios na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. São Paulo: Annablume.

 

ANDRELLO, Geraldo. 2006. Cidade do Índio. São Paulo: Editora UNESP: ISA; Rio de Janeiro: NUTI.

 

DAL POZ NETO, João. 2004. Dádivas e dívidas na Amazônia: parentesco, economia e ritual nos Cinta-Larga. Tese de doutorado em Ciências Sociais. Unicamp.

 

GARCIA Jr. Afrânio. 1990. O Sul: caminho do roçado; estratégias de reprodução camponesa e transformação social. São Paulo: Editora Marco Zero e Editora UNB.

 

GOMES, Sueli de Castro. 2002. Do Comércio de Retalhos a Feira da Sulanca: uma inserção do migrante em São Paulo. Dissertação de Mestrado. Geografia. Universidade de São Paulo.

 

GUEDES, André Dumans. 2013. O trecho, as mães e os papeis: Etnografia de movimentos e durações no norte de Goias. Rio de Janeiro: Garamond.

 

MIZRAHI, Mylene. 2014. A estética funk carioca – criação e conectividade em Mr. Catra. Rio de Janeiro: 7 Letras.

 

MONTEIRO, Cristiano Sobroza. 2015. Do Quilombo à Serra: Migração, Identidade e Alteridade no RS. Santa Maria: Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria.

 

PAULA, Luís Roberto de. 2007. Travessias: um estudo sobre a dinâmica sócio-espacial Xavante. Tese de Doutorado em Antropologia. USP.

 

PISCITELLI, Adriana. 2013. Trânsitos: Brasileiras nos mercados transnacionais do sexo. Rio de Janeiro: Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM) e Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EdUerj).

 

PISSOLATO, Elizabeth. 2007. A duração da pessoa: mobilidade, parentesco e xamanismo mbya (guarani). São Paulo: Unesp Editora: Pronex: Nuti/ ISA.

 

VIEIRA, Maria Antonieta da Costa. 2001. À procura das Bandeiras Verdes: Viagem, Missão e Romaria. Movimentos sócio-religiosos na Amazônia Oriental. Tese de Doutorado em Antropologia. Unicamp.