DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA DA REGULAÇÃO (E POLÍTICA) ECONÔMICA

CRÉDITOS: 4

CARGA HORÁRIA: 60 HORAS

PROFESSORES: GUSTAVO ONTO E EUGÊNIA MOTTA

CURSO: MESTRADO E DOUTORADO

PERÍODO LETIVO: 2019/02

DIA E HORÁRIO: 4a feira 14:00- 17:40

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PROGRAMA:

Esta disciplina tem por objetivo discutir trabalhos que têm buscado construir, nas duas últimas décadas, uma perspectiva etnográfica sobre as formas de regulação ou políticas públicas que incidem sobre relações, comportamentos e vidas econômicas. Este campo de investigação se situa na interface entre os estudos sobre economia, o estado e as políticas públicas. A maior parte dos textos a serem discutidos é de antropólogos e tratam de temas e questões clássicos da sociologia e da ciência política. Um dos objetivos do curso é promover leituras que transitem entre as fronteiras disciplinares, não apenas das três áreas das ciências sociais, mas também da história e, evidentemente, da economia. O curso está organizado de modo a introduzir os vários temas com os quais essa literatura vem trabalhando, além das diversas abordagens teóricas e metodológicas adotadas para estudar as relações entre Estado, economia, direito, política e conhecimento. O uso da noção de “regulação” busca expandir as possibilidades de pensar formas de governar, organizar, normatizar e arranjar a economia ou as relações econômicas, dando atenção para a multidimensionalidade desses processos, os vários sentidos dessas formas de ordenamento e seus efeitos. Indo além da tendência ainda dominante nas ciências sociais de caracterizar e explicar políticas econômicas a partir de modelos ou racionalidades pré-determinados, buscamos abrir espaço para a descrição de processos e temáticas tais como: a quantificação e delimitação do econômico; nacionalismos e fronteiras comerciais; ilegalidade e informalidade; a vida social e legal das corporações; a política de preços e das moedas; a temporalidade e historicidade de políticas públicas; a circulação de mercadorias e a produção de mercados; crises e políticas de austeridade; a formação de novas subjetividades; e a relação entre o conhecimento etnográfico e formas de conhecimento regulatório.

A maior parte dos textos é de autoria de mulheres e apresentam grande variedade de realidades sociais, com pesquisas feitas em muitos países diferentes. Embora nenhuma discussão metateórica seja objeto primário do curso, seguimos a boa tradição antropológica na qual as condições de produção da reflexão intelectual são sempre uma questão a ser levada em conta.

A disciplina será oferecida em conjunto entre o Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ e os Programas de Pós-graduação em Sociologia e Ciência Política do Iesp (UERJ). As aulas da primeira à 7ª sessão serão ministradas no IFCS de 14h às 17h. A partir da 8ª sessão as aulas são no Iesp, de 13h às 16h. Os alunos de cada programa deverão se inscrever na disciplina em sua respectiva instituição.

 

PLANEJAMENTO DE AULAS:

Sessão 1 – 14/8 – Apresentação do curso

Sugestões de Leitura:

  • SHORE, Cris; WRIGHT, Susan. 2011. “Conceptualising Policy: Technologies of Governance and the Politics of Visibility”. In: SHORE, Cris; WRIGHT, Susan; PERÒ, D. (Eds.). Policy Worlds: Anthropology and the Analysis of Contemporary Power. London: Berghahn Books, pp. 1-26.
  • COLLIER, Stephen; ONG, Aihwa. 2005. “Global assemblages, anthropological problems”. In: ONG, Aihwa; COLLIER, Stephen. Global assemblages: Technology, politics, and ethics as anthropological problems. Blackwell. Pp: 3-21.
  • GUYER, Jane. 2016. “The Themes of Legacies, Logics and Logistics”, IN: “Legacies, logics, logistics: Essays in the anthropology of the platform economy. Chicago: University of Chicago Press.
  • BEAR, Laura;  HO,  Karen;  TSING,  Anna  Lowenhaupt;  and  YANAGISAKO,  Sylvia.  2015.  “Gens:  A Feminist Manifesto for the Study of Capitalism.” Theorizing the Contemporary, Fieldsights, March 30.

 

Sessão 2 – 21/8 – Entre a política, o conhecimento e a economia

  • MITCHELL, Timothy.  2002.  Rule  of  experts:  Egypt,  techno-politics,  modernity.  Chicago:  Univ  of California Press. (Intro, cap. 1, 2, 3, 7, 8, 9)

 

Sessão 3 – 28/8 – Os limites da governamentalidade neoliberal

  • SCHWEGLER, Tara. 2008. “Take it  from the top (down)? Rethinking  neoliberalism and political hierarchy in Mexico”. American Ethnologist, 35:682–700.
  • WESZKALNYS, Gisa. 2011. “Cursed resources, or articulations of economic theory in the Gulf of Guinea”, Economy and Society, 40:3, 345-372
  • CROSS,  Jamie.   2010.   “Neoliberalism   as   unexceptional:   economic   zones   and   the   everyday precariousness of working life in South India”. Critical Anthropology, 30:355–73.
  • GUPTA, Akhil.  2012.  “Population  and  Neoliberal  Governmentality”.  In:  Gupta,  A.  Red  Tape: Bureaucracy, Structural Violence, and Poverty in India. Durham: Duke University Press. (p. 237-278).
  • FERGUSON, James. 2010. The uses of neoliberalism. Antipode 41(Suppl. 1):166–84.

 

Sessão 4 – 11/9 – Economia nacional e nacionalismo

  • MITCHELL, Timothy. 2014. “Economentality: How the Future Entered Government”. Critical Inquiry40, no. 4: 479-507.
  • APPEL, Hannah. 2017. “Toward an Ethnography of the National Economy”. Cultural Anthropology, 32. 294-322.
  • KINGSOLVER, Ann; PANDEY, Annapurna; ONTO, Gustavo; OPESEN, Cris; APPEL, Hannah. “World Anthropological Perspectives on Economic Nationalism”. (Unpublished manuscript)
  • YANAGISAKO, Sylvia. 2013. “Transnational Family Capitalism: Producing ‘Made in Italy’ in China”.IN: Vital Relations: Modernity and the Persistent Life of Kinship, ed. Susan McKinnon and Fenella Cannell, Santa Fe: School for Advanced Research Press.

 

Sessão 5 – 18/9 – Governando mercados

  • APPEL, Hannah. 2012. “Walls and white elephants: Oil extraction, responsibility, and infrastructural violence in Equatorial”. Ethnography, 13: 439
  • BESKY, Sarah. 2016. “The Future of Price: Communicative Infrastructures and the Financialization of Indian Tea”. Cultural Anthropology 31, no. 1: 4–29.
  • CHALFIN, Brenda. 2008. “Sovereigns and citizens in close encounter: Airport anthropology and customs regimes in neoliberal Ghana”. American Ethnologist, 35: 519-538
  • ÇALISKAN,  Koray.   2009.   “The   meaning   of   price   in   world   markets”. Journal   of   Cultural Economy, 2:3, 239-268.
  • GUYER, Jane.  2016.  “From  Market  to  Platform:  Shifting  Analytics  for  the  Study  of  Current Capitalism”. In: “Legacies, logics, logistics: Essays in the anthropology of the platform economy. Chicago: University of Chicago Press.

 

Sessão 6 – 25/9 – Ética e subjetividades

  • RUDNYCKYI, Daromir.  2009.  “Spiritual  Economies:  Islam  and  Neoliberalism  in  Contemporary Indonesia”. Cultural Anthropology 24 (1), 2009, p. 104-141.
  • KANNA, Ahmed. 2010. “Flexible Citizenship in Dubai: Neoliberal Subjectivity in the Emerging “City‐ Corporation”. Cultural Anthropology, 25: 100-129.
  • ELYACHAR, Julia. 2012. “Before (and after) neoliberalism: Tacit Knowledge, Secrets of the Trade, and the Public Sector in Egypt”. Cultural Anthropology. 27: 76 – 96.
  • JAMES, Deborah. 2019. “New   subjectivities:    Aspiration,   prosperity     and   the    new   middle class”, African Studies, 78:1, 33-50.
  • ZALOOM, Caitlin. 2018. “How will we pay? Projective fictions and regimes of foresight in US college finance,” HAU: Journal of Ethnographic Theory 8, no. 1-2: 239-251.
  • MIYAZAKI, Hirokazu.  2006.  “Economy  of  Dreams:  Hope  in  global  capitalism  and its  critiques”. Cultural Anthropology, Vol. 21, No. 2, pp. 147-172.

 

Sessão 7 – 2/10 – Crises e temporalidades

  • ROITMAN, Janet. 2016. “The Stakes of Crisis” in P. Kjaer, and N. Olsen, eds. Critical Theories of Crisis in Europe, Rowman & Littlefield International, 2016, pp. 17-34.
  • ELYACHAR, Julia. 2013. “Regulating Crisis: A Retrospective Ethnography of the 1982 Latin American Debt Crisis at the New York Federal Reserve Bank”. Valuation Studies, 1.2 : 147-160.
  • NELMS, Taylor. 2012. “The Zombie Bank and the Magic of Finance”. Journal of Cultural Economy, 5:2, 231-246.
  • GUYER, Jane. 2007. “Prophecy and the near future: Thoughts on macroeconomic, evangelical, and punctuated time”. American Ethnologist, 34: 409-421
  • MIYAZAKI, Hirokazu. 2003. “The Temporalities of the Market”. American Anthropologist 105 (2):255-265.

 

Sessão 8 – 9/10 – Informalidade e fronteiras

  • HART, Keith. 1973. “Informal income opportunities and urban employment in Ghana”. The journal of modern African studies, 11.1: 61-89.
  • CARRIER, James (ed.). 2018. Economy, Crime and Wrong in a Neoliberal Era. New York: Berghahn Books. (capítulo selecionado)
  • BOLT, Maxim. 2017. “Making workers real: Regulatory spotlights and documentary stepping-stones on a South African border farm”. HAU: Journal of Ethnographic Theory 7, no. 3: 305-324.
  • MACHADO DA  SILVA,  Luiz  Antonio.  2018.  “Mercados  metropolitanos  de  trabalho  manual  e marginalidade”. O Mundo Popular: Trabalho e Condições de Vida. Rio de Janeiro, Papéis Selvagens, pp 61-73.
  • ROITMAN, Janet L. “The politics of informal markets in sub-Saharan Africa.” The Journal of ModernAfrican Studies 28.4 (1990): 671-696.
  • FELTRAN, Gabriel. 2019. “(Il)licit Economies in Brazil: An Ethnographic Perspective”. Journal of Illicit Economies and Development, 1(2), pp.145–154

 

Sessão 9 – 16/10 – Políticas da Austeridade

  • BEAR, Laura. 2015. Navigating Austerity: Currents of Debt Along a South Asian River. Stanford: Stanford University Press. 264 pp.

 

Sessão 10 – 23/10 – A vida social e jurídica das corporações

  • BENSON, Peter;  STUART,  Kirsch.  2010.  “Capitalism  and  the  Politics  of  Resignation”.  CurrentAnthropology, vol. 51, no. 4, pp. 459–486.
  • RILES, Annelise.  2011.  “Too  Big  to  Fail”.  In:  Jeanette  Edwards  and  Maja  Petrovic-Steger,  eds.Recasting  Anthropological  Knowledge:  Inspiration  and  Social  Science.  Cambridge:  Cambridge University Press. Pp. 31–48.
  • SAWYER, Suzana. 2006. “Disabling corporate sovereignty in a transnational lawsuit”. Political and Legal Anthropology Review, 29: 23-43.
  • ONTO, Gustavo. No prelo. “Corporate personhood and the competitive relation in antitrust”. In: GUYER, Jane; NEIBURG, Federico (eds). The Real Economy. Chicago: Chicago University Press
  • PETERSON, Kristin. 2014. “On the monopoly: Speculation, pharmaceutical markets, and intellectual property law in Nigeria”. American Ethnologist. 41. 128-142.

 

Sessão 11 – 30/11 – Política dos preços, das moedas e do crédito

  • GUYER, Jane I. (2009). “Composites, fictions, and risk: Toward an ethnography of price”. In C. Hann & K. Hart (Eds.), Market and Society: The Great Transformation Today (pp. 203-220). Cambridge: Cambridge University Press.
  • NEIBURG, Federico. 2007. “As moedas doentes, os números públicos e a antropologia do dinheiro”. Mana 13.1: 119-151.
  • NELMS, T. C., MAURER, B., SWARTZ, L., & Mainwaring, S. 2018. “Social Payments: Innovation, Trust, Bitcoin, and the Sharing Economy”. Theory, Culture & Society, 35(3), 13–33.
  • JAMES,  Deborah.       2013. “Regulating       credit:       tackling       the       redistributiveness       of neoliberalism”. Anthropology of This Century, 6.
  • PEEBLES,  Gustav.   2012.    “Filth   and   Lucre:   The   Dirty   Money   Complex   as   a   Taxation Regime.” Anthropological Quarterly, vol. 85, no. 4, pp. 1229–1255.
  • PEEBLES,  Gustav.   2012.   “Whitewashing   and  leg‐bailing:   on  the   spatiality   of  debt”.   Social Anthropology, 20: 429-443.

 

Sessão 12 – 6/11 – Entre direitos e mercadorias

  • BALLESTERO, Andrea. 2019. A Future History of Water. Durham and London: Duke University Press. 232 pp.

 

Sessão 13 – 13/11 – Conhecimentos para-etnográficos

  • HOLMES, Douglas  &  G.E.  MARCUS.   2005.  Cultures  of  expertise   and  the  management  of globalization:  toward  the  re-functioning  of  ethnography.  In  Global  assemblages:  technology, politics,  and  ethics  as  anthropological  problems  (eds)  A.  Ong  &  S.J.  Collier,  235-52.  Oxford: Blackwell.
  • HOLMES, Douglas. 2009. “Economy of Words”. Cultural Anthropology, Vol. 24, Issue 3, pp. 381–419.
  • LARSEN, Lotta Björklund. “Moulding Knowledge into a Legal Complex: Para-ethnography at the Swedish Tax Agency”. Journal of Business Anthropology, [S.l.], v. 2, n. 2, p. 209-231, oct. 2013.
  • ONTO, Gustavo. 2014. “The market as lived experience: On the knowledge of markets in antitrust analysis”. Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology, v. 11, n. 1, pp. 159-190.
  • NELMS, Taylor. 2015. ‘‘The problem of delimitation’: parataxis, bureaucracy, and Ecuador’s popular and solidarity economy”. Journal of the Royal Anthropological Institute, 21: 106-126.

 

Sessão 14 – 27/11 – Antropologia, Expertise e colaboração

  • MAURER, Bill. 2005. “Due Diligence and ‘Reasonable Man’ Offshore”. Cultural Anthropology, 20: 474-505.
  • RILES, Annelise.  2004.  “Real  time:  Unwinding  technocratic  and  anthropological  knowledge”.American Ethnologist, 31: 392-405.
  • MIYAZAKI, Hirokazu, e RILES, Annelise. 2005. “Failure as an Endpoint”. In: ONG, Aihwa; COLLIER, Stephen (org). Global assemblages: Technology, politics, and ethics as anthropological problems. Blackwell.
  • RILES,  Annelise.   2013.   “Market   Collaboration:   Finance,   Culture,   and   Ethnography   after Neoliberalism”. American Anthropologist, Vol. 115, No. 4, pp. 555–569.

Sessão 15 – 4/12 – Apresentação de Trabalhos