O curso tem como objetivo discutir temas que envolvem a categoria juventude e suas relações e fronteiras com as categorias de infância e adolescência, havendo uma ênfase nas classes populares que constituem atualmente o centro deste campo.

Trata-se de trabalhar a categoria juventude e os estereótipos nela contidos, procurando desconstruir o senso comum que confunde seu entendimento diante de situações históricas. A noção de categoria será vista como uma forma de classificação e de construção da realidade social. Estaremos trabalhando durante o curso com a linguagem, como discurso e com a cultura.

Segundo o antropólogo Paul Bonhanan a história da antropologia está marcada pela”tirania” das idéias aprendidas, ou seja pela tirania do “senso comum” na qual estavam mergulhados os antropólogos enquanto homens de seu tempo. A história da antropologia estaria marcada segundo Bohanan pela luta contra esta tirania. E, foi através da tentativa de entender os grupos sociais, distantes, o “outro”, o exótico, que a antropologia foi formulando temas, problemas, métodos, relativizando a própria cultura antropológica, num processo de desconstrução e reconstrução. O aprendizado antropológico através de sua história nos levou a ver que grupos que são por nós classificados como próximos, vizinhos e com os quais participamos de uma mesma cultura, de uma mesma língua,não são tão próximos, podem também ser considerados exóticos”, estranhos, desconhecidos. O pertencimento a uma mesma nação, a utilização de uma mesma língua, nos reconhecendo como um mesmo povo, não nos torna necessariamente idênticos do ponto de vista cultural. Dentro de uma mesma sociedade podemos estranhar grupos que o nosso senso comum nos faz ver como familiar. (ver a este respeito a discussão entre Velho,G e Da Matta in A Aventura Sociológica).

A ênfase no entendimento das palavras usadas na classificação de grupo, no seu comportamento e no conteúdo valorativo nos quais essas palavras, categorias, estão mergulhados, nos permite perceber realidades sociais construídas e reconstruídas por diversos sujeitos sociais. Sejam aqueles que são classificados e que muitas vezes lutam dentro das classificações a eles impostas, sejam os classificadores (profissionais diversos assim como os divulgadores destas classificações: a imprensa e a população em geral) Tais realidades construídas e nomeadas segundo categorias podem nos levar a construção de campos (Bourdieu) historicamente diversos ou seja, a construção de campos em diferentes momentos e conjunturas, assim como as trajetórias de grupos e indivíduos que participam da construção destes campos como protagonistas em luta, em conflito.

A reflexão sobre a história da construção de realidades sociais através de categorias, nos revelam momentos, conjunturas, que são renomeadas e ressignificadas, nos fazem parafrasear Jean Paul Sartre quando diz que é preciso desconfiar da literatura , das palavras, das categorias sociais. As categorias não são apenas formas de exclusão ou de inclusão social,”boas” ou “más”, elas são “boas para pensar” (L.Strauss. O Totemismo Hoje).

Primeira Sessão –

Apresentação do curso.

Primeira Unidade. (três sessões.)

A construção social de categorias.