Proposta:

Estudar as contribuições de Victor Turner para a compreensão dos símbolos e rituais. No contexto dos desdobramentos do funcionalismo, i.e. das indagações sobre a natureza do vínculo entre “vida simbólica” e a estrutura e organização sociais, Victor Turner é considerado por diversos autores (Valeri, Dan Sperber, Mary Douglas, Roberto da Matta) como aquele que trouxe desenvolvimentos dos mais complexos e originais ao assunto. Destacam-se nessa direção, o seu interesse pela fase de “liminaridade” dos ritos de passagem, suas discussões dos níveis de significado dos símbolos e a elaboração da idéia de dramas sociais. Trata-se de construir uma leitura contemporânea, compreensiva e crítica de aspectos de sua obra.

Dias de aula:
Agosto: 10 (Apresentação), 17, 24, 31,
Setembro: 8 (quinta-feira), 14,21
Outubro: 5, 12,19
Novembro: 3 (quinta-feira),9,16, 23, 30
Dezembro: 7 (Encerramento)

Apresentação do curso (10/08)

I) Introdução: Situando Victor Turner (17/08)

Verbete. Rite e rite de passage. Pp 630-634. Dictionnaire de l’éthnologie et de l’anthropologie. PUF. Paris. Verbete. Victor Turner. Pp 721-722.Max Gluckman. p/302. Rito. Valeri. Enc. Einaudi.

GLUCKMAN, Max. “O material etnográfico na antropologia social inglesa”. Pp. 64 -76.. In: desvendando máscatas sociais. Zaluar ( Org.). RJ: Livraria Francisco Alves Editora. S.A.

GEERTZ, Clifford. “Mistura de gêneros: a reconfiguração do pensamento social.”Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. pp.33-56. “Blurred Genres: the refiguration of social thought”. Pp. 19-35. Local Knowledge. Basic Books. 1983.

II) Liminaridade: Passagens, Margens e Fronteiras. 24 e 31/08 e 8, 14/09

VAN GENNEP, Arnold. Os ritos de passagem. Petrópolis: Vozes, 1978. Apresentação de Roberto da Matta. Cap. I e Cap. II. Pp. 7-40.
Complementar: VILHENA, LR. 1997. “O popular visto das margens: cultura popular e folklore em van Gennep e Bakhtin”pp. 51-96. In: Ensaios de Antropologia. RJ: Ed UERJ. E CAVALCANTI, M Laura “Cultura e ritual: trajetórias e passagens”. In Rocha, E, (Ed.) Cultura e Imaginário. Rio de Janeiro: Ed Mauad, 1998.
GLUCKMAN, M. “Les Rites de Passage”. Gluckman (ed.), Essays on the ritual of social relations. Manchester University Press, 1962. pp. 1-52
TURNER, Victor. “Three Symbols of Passage in Ndembu Circumcision Ritual: an interpretation.” Gluckman (ed.), Essays on the ritual of social relations. Manchester University Press, 1962. pp. 124-175.
“Betwix and between: o período liminar nos ritos de passagem. In: Floresta de símbolos: aspectos do ritual ndembu. pp. 137-158. Niterói: EdUFF, 2005. [1967].
“Liminal to liminoid, in play, flow and ritual” pp. 20-60. From ritual to theatre. The Human seriousness of play. New York. PAJ Publications.1982.
“Variations on a theme of liminality”. In: Secular Rituals. Eds. Sally Moore. Barbara G. Myerhoff. Amsterdam. 1977. pp. 36-70.
“Liminaridade e ‘Communitas'”. Pp 116/159. O Processo Ritual. Petrópolis: Vozes, 1974 DAMATTA, Roberto. “Individualidade e liminaridade: considerações sobre os ritos de passagem e a modernidade”. Mana, 6 (1): 7-29.

IV) Dinâmica e drama sociais . 21/09 e 5, 12, 19/10
TURNER, Victor. Schism and continuity in an African society. 1957. Manchester University Press.

Bruxaria e feitiçaria: taxonomia versus dinâmica . pp. 159-176. Floresta de símbolos: aspectos do ritual ndembu. pp. 137-158. Niterói: EdUFF, 2005. [1967].
“Social Dramas and Ritual Metaphors”. In: Dramas, Fields and Metaphors. pp. 23-59. Cornell University Press, 1974.
“Social dramas and stories about them”. Critical Inquiry. Autumn 1980. vol. 7. n. 1. pp.141-168.
“Dramatic Ritual, dramatic drama.” Pp. 89-101. From ritual to theatre. The Human seriousness of play. New York. PAJ Publications.1982.
MAGGIE, Yvonne. Guerra de Orixá: um estudo de ritual e conflito. Zahar. Eds. 2001 [3. ed. Reivista].
“Social dramas in Brazilian Umbanda: The dialetics of meaning”. P. 33-71. “The anthropology of performance”. pp. 72-98″Carnaval in Rio: Dionysian Drama in an industrializing society”. Pp. 123-138. The anthropology of performance. New York. PAJ Publications. 1987.
GLUCKMAN, Max. On drama, and games and athletic contests. Pp.227-243.
LANGER, Suzanne. A ilusão dramática; O ritmo cômico; O ritmo trágico. Sentimento e forma. Pp. 319-380. SP: Ed Perspectiva, 2003 [ 1953].

V) Símbolos em ação. e 3, 9 , 16, 23, 30 / 11.
TURNER, Victor. “Symbolic Studies”, Annual Review of Anthropology, vol 4 ( 1975), 145-161.
“Os símbolos no ritual ndembu”. Pp. 49-82. “Simbolismo ritual, moralidade e estrutura social entre os ndembu”.pp. 83-94. “A Classificação das cores no ritual ndembu: um problema de classificação primitiva” pp. 95-136 Floresta de Símbolos.Aspectos do Ritual Ndmbu. Niterói: Ed. UFF, 2005.
SAHLINS, Marshall. “Cores e Culturas” p. 153-177. [ 1976] . In: Cultura na prática. RJ: Ed UFRJ. 2004.
FREUD, Sigmund. On dreams. W.W. Norton & ompany Inc. 1989 . [1901].

Encerramento: 7 de dezembro

Bib. Complementar:
Firth, Raymond. “Essays on the ritual of social relations”. Man. Vol. 65 (May-Jun, 1965), 88-89.
Douglas, Mary. “The healing rite”. Man. New Series. Vol 5. n.2. (Jun 1970) 302-308.
Lewis, Ian. “The ritual process: structure and anti-structure. Man. New Series. Vol. 6, n. 2. Jun, 1971 (306-307).
Swanson, Guy E. “Dramas, Fields and Metaphors: symbolic action in human society.” Contemporary Sociology, vol. 4. n. 3 (May, 1975), 308-310.
Weber, Donald. “From limen to border: a meditation on the legacy of Victor Turner”. American Cultural Studies. American Quarterly, vol 47, n. 3. (sep 1995), 525-536.
De Boeck, Filip & Devisch, Rene. “Ndembu, Luunda and Yaka divination compared: from representation and social engeneering to embodiment and worldmaking”. Journal des Religions Africaindes. XXIV, 2 (1994), E.J. Brili, Leiden.