Octavio Bonet

Email: octavio.bonet@gmail.com
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/9539416788412797

Doutor em Antropologia Social, PPGAS/Museu Nacional/UFRJ, 2003.
Antropologia da saúde, antropologia das emoções.

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Projeto em andamento

Emoções e itinerários de cuidados terapêuticos a partir das redes de Atenção Primária à Saúde no Rio de Janeiro.

O objetivo central da pesquisa proposta consiste em analisar e mapear como se constroem esses itinerários nas interações vividas no cotidiano, tanto nos serviços de saúde como nas relações estabelecidas com as redes terapêuticas complementares (religiosas ou alternativas), entrelaçando as dimensões emocionais e políticas que estão em permanente estado de reformulação. O problema central da pesquisa é resultado da relação de três conceitos-chave: itinerários de cuidados terapêuticos, redes e emoções. As emoções e as redes como dimensões do mundo vivido podem ser operacionalizadas através da reconstrução dos itinerários, já que neles se entrelaçam a dimensão dos afetos com a dimensão das políticas públicas em saúde, enquanto dimensão vivida e não da letra da política. Nosso ponto de partida serão os itinerários de cuidados, não como campo das micropráticas por oposição à perspectiva macro das políticas, mas como um processo em que os afetos e as políticas interagem construindo uma rede de cuidados.

Propomos como ponto de inicio da pesquisa as unidades de saúde que fazem parte de rede de APS do Município do Rio de Janeiro. A rede de APS funciona como um polo de atração, mas não como aquilo que se quer descrever e explicar, já que nosso objetivo é incorporar as redes intersticiais que também fazem parte da rede de cuidados terapêuticos. Escolhemos trabalhar tanto a perspectiva do usuário como a dos terapeutas, sejam profissionais da APS ou de outro saber terapêutico, posto que estes se tornam mediadores cruciais para compreender  as escolhas que o primeiro faz. Em outras palavras, tentaremos reconstruir os itinerários de dois pontos de vista: o dos usuários e o dos terapeutas.

Para dar conta de nossos interesses analíticos, propomos, como metodologia, um trabalho de cunho etnográfico que se componha de: a)  observação participante, a fim de perceber a lógica das práticas dos usuários no cotidiano da constituição dos itinerários,   e b)  entrevistas extensivas, para construir narrativas nas quais se explicitem os sentidos outorgados às escolhas terapêuticas e as categorias simbólicas que as sustentam.

Indicações bibliográficas:

BONET, O. A. R. . Saber e Sentir. Uma etnografia da aprendizagem da biomedicina. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2004. 136 p.

BONET, O. A. R. ; TAVARES, Fatima Regina Gomes ; CAMPOS, E. M. S. ; BUSTAMANTE, M. T. ; RODRIGUES, M. G. . “Situação-centrada, rede e itinerário terapêutico: o trabalho dos mediadores”. In: Roseni Pinheiro; Paulo Henrique Martins. (Org.). Avaliação em saúde na perspectiva do usuário: abordagem multicêntrica. 1 ed. Recife, Rio de Janeiro: CEPESC-IMS/UERJ; Editora UFPE; ABRASCO, 2009, v. 1, p. 241-250.

BONET, O. A. R. ; TAVARES, Fatima Regina Gomes . “O usuário como mediador. Em busca de uma perspectiva ecológica sobre os condicionantes sociais de saúde”. In: Roseni Pinheiro; Rubem Araujo Mattos. (Org.). Cuidar do cuidado: responsabilidade com a integralidade das ações de saúde. 20 anos do SUS constitucional. Rio de Janeiro: Abrasco, UERJ, 2008, v. , p. -.

BONET, O. A. R. ; TAVARES, Fátima Regina Gomes . “O Cuidado como Metáfora nas redes da prática terapêutica”. In: Roseni PInheiro; Ruben Araujo de Mattos. (Org.). Razões Públicas para a Integralidade em saúde: o cuidado como valor. Rio de Janeiro: CEPESC-IMS UERJ-ABRASCO, 2007, v. , p. 263-277.