Maria Macedo Barroso

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Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/0346342034718575

Doutor em Antropologia Social, PPGAS/Museu Nacional/UFRJ, 2008.
Cooperação internacional, processos de formação do Estado e construção da pessoa, políticas indigenistas, história da antropologia, teoria antropológica.

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Projetos em andamento

Cooperação internacional, idiomas de governo e campo religioso

A pesquisa objetiva analisar a presença de perspectivas e de atores religiosos cristãos no aparato da cooperação internacional para o desenvolvimento, explorando as razões de seu envolvimento nesse campo, a partir de que justificativas atuam e  que tipos de recursos materiais e simbólicos mobilizam para suas ações. Deverá situar essa presença dentro dos mecanismos de governamentalidade que emergiram a partir de meados do século XX no universo da cooperação para o desenvolvimento, em que a gestão de territórios e populações tornou-se viabilizada em grande medida por organizações agrupadas  sob a rubrica das “organizações não governamentais”, “organizações voluntárias” e outros termos afins. O processo de constituição deste universo supôs um longo ajuste de vocabulários e perspectivas, bem como a herança de categorias e classificações das diferentes tradições de conhecimento incorporadas a seu modus operandi, entre as quais as de base religiosa serão o foco da pesquisa. Estaremos interessados em analisar o diálogo estabelecido entre o campo religioso cristão e o campo do desenvolvimento, examinando o papel deste diálogo nos processos de isolamento, classificação, hierarquização e espacialização dos grupos que vieram a se tornar alvos das políticas estabelecidas sob a égide do desenvolvimento, pela via da mobilização de um conjunto de repertórios morais e da reivindicação de um tipo de expertise constituída pelo legado da participação de atores religiosos em cenários coloniais e pós-coloniais.  O recorte da pesquisa será feito sobre intervenções voltadas a populações definidas como “indígenas”, ou outras classificações de origem colonial, recuperando-se discursos e práticas de atores ligados ao campo cristão observadas em diferentes escalas de atuação, notadamente na África e na América Latina.

Duração: 2016-2018

Setor elétrico, desenvolvimento e políticas compensatórias para os povos indígenas

A pesquisa visa analisar as políticas destinadas a propor compensações para os povos indígenas afetados pela realização de projetos do setor elétrico, tomando como foco o papel estratégico que este teve e tem na definição, formulação e implementação destas políticas, tanto por organismos nacionais quanto por agências internacionais, bem como pelas instâncias transnacionais onde protocolos voltados à definição dessas compensações têm sido negociados. Uma avaliação do relacionamento do setor elétrico com os povos indígenas ganha relevo na medida em que cerca de 70% do potencial hidrelétrico que ainda resta para ser aproveitado no país se encontra na Amazônia e no Cerrado, regiões nas quais estão localizadas 98% das terras indígenas no Brasil, ou seja, as políticas indigenistas do setor elétrico estarão diretamente implicadas nas perspectivas de futuro destes povos.

Indicações bibliográficas:

“Mapeamentos participativos e atores transnacionais: a formação de identidades políticas para além do Estado e dos grupos étnicos” In: ACSELRAD, Henri. Cartografia social e dinâmicas territoriais: marcos para o debate. Rio de Janeiro: IPPUR/ UFRJ, 2010. pp. 47-80.

Fronteiras étnicas, fronteiras de Estado e imaginação da nação: um estudo sobre a cooperação internacional norueguesa junto aos povos indígenas. Rio de janeiro, Editora E-papers, 2009.

Com SOUZA LIMA, Antonio Carlos (orgs.). Etnodesenvolvimento e políticas públicas. Bases Para uma nova política indigenista I./ Estado e Povos Indígenas. Bases para uma nova política indigensita II. / Além da tutela. Bases para uma nova política indigenista III. Rio de Janeiro, Livraria Contra Capa / Laced, 2002.