Leticia Carvalho de Mesquita Ferreira

Email: leticiacarvalho@gmail.com
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/2964979009631467

Doutora em Antropologia Social (Museu Nacional/UFRJ), 2011.
Antropologia do Estado, Legalidades e Moralidades, Etnografia de documentos e práticas de documentação

PORTUGUÊS ENGLISH ESPAÑOL

Dramas de família nos balcões da burocracia: a administração institucional de casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no estado do Rio de Janeiro

O projeto inscreve-se no campo mais amplo da Antropologia do Estado, e tem como tema específico o fenômeno burocrático e a relação entre legalidades, formalidades e moralidades. Pretende analisar possíveis articulações, tensões e complementaridades entre legalidades, formalidades e moralidades acionadas em instituições que lidam com casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no estado do Rio de janeiro. A análise será realizada a partir de etnografia que terá como foco central um serviço público de assistência social especializado na temática e se estenderá a outras instituições que venham a lidar com casos lá cadastrados, como delegacias de polícia, conselhos tutelares e institutos médico-legais. Por meio da etnografia, pretende refletir sobre as formas através das quais casos de desaparecimento tornam-se objeto de administração institucional no estado, analisando os procedimentos burocráticos adotados no SOS e nas demais instituições a serem pesquisadas de modo a compreender em que medida as legalidades e formalidades em que se baseiam articulam-se, ajustam-se ou se contrapõem a moralidades específicas em torno tanto da “criança desaparecida”, quanto da “família da criança desaparecida”. Ademais, pretende identificar os eventuais conflitos estabelecidos entre os servidores que atuam nessas instituições e as famílias de desaparecidos que a elas recorrem e, finalmente, em que medida a eventual repercussão pública de alguns dos casos incide sobre sua administração institucional.

Sobre gramáticas morais e a linguagem da justiça: formas de mobilização e demandas por reconhecimento de mães de crianças nascidas com a síndrome congênita do zika vírus no Brasil

Em 2015, a epidemia do chamado zika vírus atingiu seu pico no Brasil. Em um processo caracterizado por importantes controvérsias e achados científicos já analisados por diferentes antropólogos, foi então estabelecida a relação entre o vírus e diversas anomalias neurológicas de fetos e bebês de mulheres que contraíram o zika durante suas gestações. A partir do estabelecimento desse nexo e da configuração médica da chamada síndrome congênita do zika vírus (SCZ), mães de bebês nascidos com microcefalia e com outros caracteres da doença passaram a se reunir em coletivos e associações que desde então vêm reivindicando reconhecimento, direitos e formas especificas de cuidado para seus filhos mediante o Estado, atuando em diferentes instâncias e a partir de diferentes localidades do país. O projeto pretende analisar a construção do problema público da síndrome congênita do zika vírus, atentando-se para as tentativas de inscrição política desses coletivos e associações de mães, suas estratégias e formas de mobilização. Busca refletir, ainda, sobre as gramáticas morais das demandas e reivindicações desses conjuntos de mulheres, buscando compreender o eventual acionamento de uma linguagem do mérito, da justiça e da reparação em suas formas de atuação, bem como a sua articulação com a linguagem do parentesco.