Elsje Maria Lagrou

Email: elagrou@terra.com.br
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/9672452727204430

Doutora em Antropologia Social, University of St. Andrews/Escócia (1998) & PPGAS/USP São Paulo (1998);
Etnologia ameríndia, seus regimes ontológicos, sociais e estéticos; antropologia da arte, da imagem e dos artefatos em geral.

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Projeto em andamento

Cantos-imagem: Regimes imagéticos e técnicas de visualização no xamanismo. Uma abordagem comparativa da relação entre ocultar e revelar nas artes e no ritual

O projeto procura ampliar o horizonte comparativo relativo ao investimento em pesquisa sobre os regimes imagéticos e técnicas de visualização no Oeste Amazônico. A partir de um esforço de comparação precisa de sistemas gráficos e regimes perceptivos indígenas no Oeste Amazônico (Lagrou, 2011, 2012, 2014), proponho uma reflexão teórica mais ampla em torno dos regimes imagéticos e perceptivos, incluindo o estudo de diferentes campos sensoriais: canto, som, movimento, embodiment e emoção. O  papel da imagem ambígua para ontologias que têm o principio da transformação das formas no centro de sua preocupação é igualmente importante para o estudo do canto ritual e de imagens. O projeto visa explorar as relações entre ocultar e revelar, na arte e no ritual, como meios significativos de acesso às ontologias e processos cognitivos das cosmologias ameríndias, indígenas e outras.

Outro eixo de investimento para a pesquisa comparativa é o caráter sinestésico da experiência visionária no xamanismo amazônico e suas relações com outras tradições e técnicas da alteração da percepção nos “vision quests” ameríndios. No caso kaxinawa trata-se de cantos-imagem ou imagens-canto agentivos: os cantos agem sobre as imagens e vice versa. Esta lógica é explorada a partir da análise dos cantos rituais.

Proponho deste modo dar continuidade à exploração comparativa de quatro temas, o das imagens, das substâncias, dos cantos e dos artefatos, temas estes que ajudam a lançar luz sobre a relação entre modos de pensar e modos de perceber. No universo ameríndio imagens e artefatos são pensados na sua relação com os corpos de humanos e não-humanos. Pesquisas recentes chamaram a atenção para regimes diferentes de subjetivação e objetivação resultantes de ontologias que conceitualizam diferentemente a relação entre o homem e o ambiente envolvente. Dentro deste contexto nosso foco consiste em explorar as consequências destes diferentes modos de conceber a relação do homem com seu mundo para o estudo dos artefatos e das imagens percebidas e produzidas pelos ameríndios e por outros coletivos.