Cesar Gordon

Email: cesargordon@ufrj.br
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5333667155035280

Doutor em Antropologia, PPGAS/Museu Nacional/UFRJ (2003), Pós-Doutor Collège de France, Laboratoire d'Anthropologia Sociale, França (2008-2009)
Teoria Antropológica, Etnologia Indígena, Objetos e cultura material, Teoria Mimética, Antropologia da Economia, Antropologia do Esporte

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Projetos em Andamento

Antropologia dos objetos entre os povos indígenas americanos

Tem por objetivo alargar o entendimento antropológico a respeito do papel e do significado dos objetos, em particular dos objetos que podem ser classificados como de valor estético, econômico ou ritual, no contexto etnográfico das sociedades ameríndias. O foco estratégico nos objetos funciona como ponto de articulação da pesquisa a campos temáticos mais vastos, que vêm se consolidando na etnologia indígena recente, e que incluem arte, estética, produção material, produção figurativa, ritual, política, cosmologia, e memória coletiva. Ao lado disso, a abordagem privilegiada dos objetos permite dar conta de um conjunto de fenômenos salientes na atual realidade dos povos indígenas sul-americanos que, no curso das últimas décadas, experimentam um acelerado processo de mudanças, caracterizado por interações cada vez mais abrangentes e complexas desses povos entre si e com outros sujeitos e instituições não indígenas, incluindo Estados e mercados, cujo efeito é a introdução em suas vidas de uma gama de novos conhecimentos, tecnologias e bens industrializados.

Antropologia e teoria mimética
Tem por pobjetivo explorar o rendimento analítico da chamada “teoria mimética”, tal como elaborada por René Girard, na investigação antropológica contemporânea. Apesar de ter sido formulada em um diálogo intenso e constante com autores clássicos e centrais da antropologia (como Frazer, Durkheim, Mauss, Evans-Pritchard, Victor Turner, Lienhardt, e Lévi-Strauss , por exemplo), a teoria mimética ainda não foi devidamente debatida, sobretudo no Brasil, e tampouco sistematicamente confrontada com os recentes desdobramentos teóricos e etnográficos da nossa disciplina. Sugerimos que ela possa ter uma função revitalizadora na investigação de uma série de fenômenos fundamentais para a pesquisa antropológica hoje como, por exemplo, o crescimento das religiões políticas, a questão da violência, do terrorismo global e das guerras, a expansão exponencial da produção industrial de objetos e do consumo de massa, o fenômeno das redes sociais da internet, entre outros. Ao lado dessas questões muito gerais, há também possibilidades de reflexão mais especificamente aplicadas ao campo da etnologia indígena. Uma primeira etapa dessa pesquisa precisa passar por uma reavaliação do modelo do predação ontológica e do perspectivismo ameríndio (cf E. Viveiros de Castro) à luz da teoria girardiana do mimetismo e do sacrifício. Uma segunda etapa consistiria em aprofundar o trabalho, apenas iniciado por Girard, de realizar uma crítica da análise lévi-straussiana do corpus narrativo mitológico sul-americano, reintroduzindo a dimensão da violência, expurgada pelo modelo estrutural, mas fortemente presente no modelo da predação ontológica. Enfim, creio que da conjugação desses dois conjuntos de temas pode resultar alguma contribuição interessante tanto ao campo mais específico da etnologia indígena, quanto ao domínio mais geral da teoria antropológica.

Livros

  • Economia Selvagem: ritual e mercadoria entre os índios Xikrin-Mebengokre, São Paulo, Edunesp, 2006 (Prêmio ANPOCS de Melhor Obra Científica em Ciências Sociais 2007).
  • Xikrin: uma coleção etnográfica (organizado com F. A. Silva), São Paulo, EdUSP, 2011.